Presidente Lula faz duras críticas a Moro e Dallagnol em podcast, questionando investigações da Lava Jato
Em entrevista a um popular podcast, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou com veemência sobre o senador Sergio Moro e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol, utilizando termos como 'canalha' e 'bandido', respectivamente. As declarações vieram acompanhadas de uma reflexão sobre a Operação Lava Jato, sua prisão e a falta de pedidos de desculpas que ele alega ter recebido da imprensa e de seus acusadores.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento de forte repercussão na noite da última quinta-feira, ao participar do popular “Flow Podcast”. Durante a entrevista, o chefe do Executivo não poupou críticas ao senador Sergio Moro (PL-PR), referindo-se a ele como “canalha”, e ao ex-deputado federal Deltan Dallagnol, a quem chamou de “bandido”. As declarações reacenderam o debate sobre a Operação Lava Jato e o período em que Lula esteve preso.
As acusações e a defesa pessoal do presidente
Ao ser questionado sobre temas sensíveis, incluindo um caso envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o presidente fez questão de relembrar seu próprio histórico judicial. Lula citou sua prisão após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, uma sentença proferida em primeira instância pelo então juiz Sergio Moro e baseada em denúncia da força-tarefa da Lava Jato. “Quando eu estive acusado da maior infâmia jurídica que já foi feita nesse país, eu poderia ter saído do Brasil, eu poderia ter ido para uma embaixada, eu resolvi ir para a Polícia Federal porque eu queria provar o canalha que era o Moro, queria provar o bandido que era o Dallagnol”, afirmou o presidente, em um discurso de defesa de sua integridade e contestação das investigações.
A Operação Lava Jato e as anulações no STF
Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato marcou a história política e jurídica do Brasil, desvendando vastos esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras e políticos. A operação resultou em centenas de condenações e teve como um dos seus desdobramentos a prisão de Lula, que permaneceu detido de abril de 2018 a novembro de 2019. Contudo, anos depois, decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) culminaram na anulação das condenações do petista, com a corte apontando irregularidades na condução dos processos, o que reforçou o argumento do presidente de que foi vítima de perseguição.
O clamor por desculpas e a crítica à imprensa
Um dos pontos centrais da fala do presidente no podcast foi sua frustração com a ausência de um pedido de desculpas por parte daqueles que o acusaram e da imprensa, que, segundo ele, contribuiu para a construção de uma imagem negativa. “O que eu fico chateado às vezes é que a imprensa avacalha com você a vida inteira depois não tem coragem de pedir desculpas”, desabafou Lula, comparando a situação à forma como a TV Globo, anos mais tarde, reconheceu o golpe militar de 1964. “Ninguém que me acusou pediu desculpa. Ninguém. Mas um dia vai pedir, daqui a uns 50 anos. Como a ‘Globo’ só reconheceu o golpe militar depois de 50 anos, quem sabe um dia ela reconheça que eu era inocente e que ela prestou serviço a um crápula como o Moro”, concluiu o presidente, reforçando sua convicção de inocência e a expectativa de reparação moral.
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