PF aponta indícios de venda de influência por Cezinha com menções a Nunes Marques e Mendonça
Flávio Dino autorizou operação contra o deputado Cezinha de Madureira por suspeita de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ministros citados nas investigações não são alvos.

Divulgação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação da Polícia Federal contra o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) após identificar indícios de venda de influência. Segundo a decisão, o parlamentar supostamente se vangloriava de ter acesso direto aos ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça. Nenhum dos dois magistrados é alvo da investigação.
Operação apura quatro crimes
Cezinha foi alvo de diligências na manhã desta segunda-feira (14 de setembro de 2026). A investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As diligências buscam esclarecer se havia comercialização de suposta capacidade de interferir em decisões de ministros dos tribunais superiores.
Dino destacou trechos de conversas em que Cezinha usaria expressões como “vou pedir a ele” e “eu preciso pedir expressamente”, além de identificar nominalmente um interlocutor como “Ministro Kássio”. Para o ministro, as mensagens indicam que o deputado não apenas encaminhava documentos, mas assumia o compromisso de fazer um pedido pessoal e direto ao julgador em benefício de partes representadas por advogadas ligadas a ele por relações conjugais e econômicas.
Mensagens envolvem Tuca e reunião com o presidente
A investigação também reached mensagens encontradas no celular de Mariângela Fialek, a Tuca, já investigada por suspeita de atuar no direcionamento de emendas parlamentares. Em uma conversa de 16 de outubro de 2025, ela teria comentado “Tu vais fazer mais um” ao encaminhar a Cezinha informações sobre uma reunião dele com o presidente da República e com o então advogado-geral da União, visto à época como possível indicado a uma vaga no STF.
Na avaliação de Dino, a frase, analisada junto com os demais diálogos, sugere que os envolvidos acreditavam que o deputado tinha capacidade de influenciar até a composição da Corte perante a qual atuavam. A Polícia Federal também encontrou uma peça e um memorial enviados por Tuca nos quais ela afirmava já ter despachado com Nunes Marques. A suspeita de influência mencionada nas investigações inclui o advogado-geral da União, Jorge Messias, que também não é investigado.
Investigação sobre dinheiro em espécie é incorporada
Dino também avocou um inquérito relacionado à apreensão de R$ 510 mil em espécie com um parente de Cezinha no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O ministro destacou que os investigados aparentam operar com grandes quantias em dinheiro vivo e considerou plausível que as diligências encontrem valores semelhantes. A observação faz parte da fundamentação para a operação e não representa, por si só, condenação.
O trabalho da Polícia Federal busca apurar a possível comercialização de influência junto a integrantes do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até a conclusão desta reportagem, as defesas de Cezinha e Tuca não haviam se manifestado publicamente sobre o teor das investigações.
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