Na ONU, Trump compara cartéis de drogas ao Estado Islâmico
Durante a Assembleia Geral da ONU, Donald Trump classificou os cartéis como inimigos de guerra e defendeu sua morte, expulsão ou detenção permanente. O discurso também aumentou a pressão sobre México e Brasil no combate ao crime organizado.

Divulgação
Donald Trump comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (22 de setembro de 2026). O presidente dos Estados Unidos defendeu que essas organizações sejam tratadas como inimigas em guerra, podendo ser mortas, expulsas ou mantidas sob detenção permanente.
Cartéis tratados como inimigos de guerra
“Os cartéis são o ISIS do hemisfério Ocidental”, afirmou Trump, usando a sigla em inglês para o Estado Islâmico. Para o presidente norte-americano, esses grupos travam uma guerra contra a civilização e utilizam assassinatos, estupros, torturas e extorsões como instrumentos de terror.
Trump disse que seu governo classificou os cartéis como organizações terroristas estrangeiras e colocou as Forças Armadas dos Estados Unidos em ação contra eles. Segundo o presidente, os militares realizaram dezenas de ataques contra embarcações usadas no transporte de drogas, destruindo 97% da carga que chegava pelo mar.
O mandatário também afirmou que os Estados Unidos eliminaram, três meses antes, o líder da gangue venezuelana Tren de Aragua. As declarações reforçam uma estratégia de segurança que aproxima o combate ao narcotráfico das operações militares contra organizações terroristas.
Pressão sobre México e Brasil
Ao abordar o México, Trump destacou que os dois países compartilham uma fronteira de aproximadamente 3.145 quilômetros e considerou inaceitável que cartéis controlem parte do território mexicano. “O México precisa recuperar o controle de seu solo dos inimigos da humanidade”, declarou.
Apesar do tom firme, Trump afirmou manter uma “relação muito boa” com o governo mexicano e disse que as autoridades do país também rejeitam a atuação das organizações criminosas. A declaração deve intensificar a cobrança por cooperação bilateral no combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional.
O Brasil também aparece no contexto mais amplo da política anunciada por Washington. Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos em 16 de setembro, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho). O texto sustenta que as duas organizações transformaram o país em um centro relevante para o fluxo global de cocaína.
Os Estados Unidos classificaram o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras em 5 de junho. A medida permite a aplicação de sanções financeiras e outras restrições contra integrantes, aliados e pessoas que mantenham relações com os grupos. Para a Casa Branca, as organizações representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacional.
A comparação feita por Trump na ONU amplia a dimensão política do combate aos cartéis e coloca o enfrentamento do crime organizado no centro da agenda internacional. O discurso também aumenta a pressão diplomática sobre governos considerados estratégicos nessa resposta, especialmente México e Brasil.
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