Lula critica tecnoligarcas e defende regras para big techs e Ia na ONU
Em discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula defendeu a criação de regras internacionais para big techs e inteligência artificial. O presidente alertou para riscos sociais da tecnologia sem regulação e condicionou a exploração de minerais estratégicos à transferência de tecnologia e à geração de valor no Brasil.

Divulgação
Regulação tecnológica ganha destaque na ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (22 de setembro de 2026), a criação de regras internacionais para big techs e inteligência artificial. Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Lula afirmou que a velocidade da inovação não pode excluir transparência, responsabilidade e controle democrático.
Em seu discurso, o presidente classificou como uma omissão histórica a falta de respostas para os riscos provocados pelo avanço das grandes plataformas digitais. Lula afirmou que um grupo restrito de empresários de tecnologia busca construir um modelo de neoliberalismo digital sem freios, regras ou transparência. Para ele, a sociedade não pode transferir às famílias a responsabilidade de lidar sozinhas com os efeitos de algoritmos desenvolvidos por companhias que conhecem os riscos de seus produtos.
IA e plataformas exigem controle democrático
Lula também criticou a condução da corrida tecnológica à margem de organismos multilaterais, como a ONU e o Painel Científico Internacional sobre Inteligência Artificial. A defesa de regulação já aparece como um dos principais pontos da política externa do governo, diante dos impactos da IA sobre emprego, privacidade, desinformação, comportamento social e concentração econômica.
O presidente voltou a mencionar o crescimento das apostas online e seus efeitos sobre o endividamento e o vício. Em contraste, defendeu a manutenção do Pix como infraestrutura pública, apresentando a plataforma brasileira de pagamentos como exemplo de tecnologia capaz de ampliar a inclusão financeira quando submetida ao interesse coletivo.
Minerais estratégicos devem beneficiar o Brasil
A exploração de minerais críticos e terras-raras também foi abordada no discurso. Lula afirmou que o acesso a esses recursos deverá gerar valor dentro do território brasileiro, promover transferência de tecnologia e abastecer setores estratégicos do país. A declaração reforça a tentativa do governo de evitar que a transição energética global reproduza um modelo baseado apenas na exportação de matéria-prima.
Discurso reforça agenda multilateral
Além da tecnologia, Lula tratou de conflitos internacionais, reforma da ONU, mudanças climáticas, fome, pobreza e soberania nacional. O presidente criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, voltou a defender a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina e pediu negotiated end to the war in Ukraine. Também destacou a redução do desmatamento na Amazônia e a retomada da agenda ambiental global.
Esta foi a décima vez que Lula abriu o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. A participação ocorre em um momento de tensão no sistema multilateral e de disputa sobre quem deverá definir os padrões tecnológicos, comerciais e ambientais das próximas décadas.
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