Moro aponta riscos de alinhamento do Paraná com Lula em 2026 e reafirma legado da Lava Jato
Em entrevista exclusiva, o senador Sergio Moro (PL) alerta para um possível 'desastre econômico' no estado caso o PT eleja governador aliado ao presidente Lula, citando riscos de expansão do crime organizado. Ex-juiz também reafirma sua trajetória na Operação Lava Jato e projeta diálogo com o Executivo federal, mesmo em caso de reeleição de Lula.

O candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, descartou a possibilidade de uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, mas admitiu que, em caso de reeleição do petista, o estado precisaria de um governador independente da base aliada do Palácio do Planalto. Em entrevista exclusiva, Moro afirmou que a população paranaense estaria exausta de políticas que, segundo ele, levaram à decadência de estados como a Bahia e o Ceará, onde o crime organizado se expandiu sob governos alinhados ao PT.
Risco de alinhamento político e suas consequências
Para Moro, a combinação entre uma eventual reeleição de Lula e a eleição de um governador petista no Paraná representaria um 'desastre econômico' para o estado. O ex-juiz citou exemplos de estados nordestinos, onde, em sua avaliação, a gestão pública teria favorecido a proliferação de estruturas criminosas, comprometendo o desenvolvimento regional. Segundo ele, o Paraná não poderia repetir tais erros, mesmo que isso significasse enfrentar um cenário político adverso em nível federal.
'As pessoas estão fartas do Lula. Mas, se acontecer o pior para o país, é melhor que nós tenhamos no Palácio do Iguaçu alguém que não seja o aliado do Lula', declarou Moro, ao se referir à frente ampla que uniria PT, PDT e setores do centrão em torno do atual presidente. 'Será um desastre se, além de eleger o Lula, elegermos um governador alinhado a ele no Palácio do Iguaçu. A gente vê o crescimento do crime organizado nesses estados', completou.
Legado da Lava Jato e críticas ao STF
Moro também reafirmou sua trajetória na Operação Lava Jato, classificando suas ações como um marco na 'defesa do Estado de Direito' no país. Para o ex-juiz, a prisão de Lula em 2018, após decisões judiciais confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), representou um avanço na garantia da aplicação da lei, independentemente de quem estivesse no poder. 'Quando condenei o Lula e quando o Supremo autorizou a prisão, demos um salto em defesa do governo de leis. Precisamos retomar esses tempos', afirmou.
O candidato ainda destacou que sua atuação na Lava Jato é lembrada pelos eleitores paranaenses e que, como governador, buscaria replicar a eficiência gestora que, segundo ele, caracteriza estados como São Paulo — onde o presidente Lula tem enfrentado resistência política. Moro citou o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), um aliado do bolsonarismo, como exemplo de gestão que logrou promover desenvolvimento sem depender do apoio do Executivo federal.
Diálogo com o Planalto em cenário de incerteza
Apesar das críticas ao petista, Moro não descartou a possibilidade de um diálogo entre o governo estadual e federal, mesmo em um contexto de polarização. 'Nós queremos trazer a eficiência de gestão do Tarcísio para cá. Não acreditamos na vitória do Lula, mas, se ela ocorrer, precisaremos encontrar caminhos para o desenvolvimento do estado', declarou. A estratégia sugere uma postura pragmática, buscando contornar as divergências políticas em nome do interesse público.
As declarações de Moro integram uma série de entrevistas realizadas pela CNN Brasil com os principais candidatos ao governo do Paraná, conforme ranking do Índice CNN/Ipespe Analítica. Além dele, Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), os outros dois postulantes mais bem posicionados nas pesquisas, foram ouvidos pela emissora nos últimos dias.



