Mendonça usava cargo para fazer política, diz Lula
Lula voltou a acusar André Mendonça de promover vazamentos seletivos no caso Banco Master e pediu que todas as investigações relacionadas sejam divulgadas. O presidente também criticou Flávio Bolsonaro e defendeu tratamento igual pelo STF aos envolvidos.

Divulgação
Críticas ao relator e a Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a condução das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante entrevista nesta quinta-feira (17), Lula afirmou que André Mendonça, que atuava como relator dos processos, usava o cargo para fazer política e promovia vazamentos seletivos.
O petista associou as críticas ao principal adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Lula, o senador estaria envolvido em irregularidades apuradas no caso e se beneficiaria da divulgação parcial de informações. “Ele sabe que está atolado até o pescoço em todas as sacanagens do Banco Master”, afirmou.
Lula também voltou a atacar Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e defendeu a divulgação ampla dos autos. Para o presidente, a população precisa conhecer integralmente as investigações para avaliar os envolvidos antes das eleições. Ele pediu que eventuais erros de ministros, parlamentares e agentes públicos sejam apurados sem distinção.
Lula pede julgamento igual para todos
Ao comentar a análise no STF sobre pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, Lula voltou a defender o ministro. Segundo o presidente, o conflito do clã Bolsonaro com Moraes ocorre por causa da prisão de integrantes da família e da atuação do magistrado na defesa da democracia.
Lula, no entanto, afirmou que todos os envolvidos em investigações relacionadas devem ser julgados no mesmo prazo. “Se o Fux está envolvido, se André Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE está envolvido, vamos saber”, disse. Ele acrescentou que Moraes também deverá responder se for comprovado algum erro.
O presidente defendeu ainda a divulgação de informações sobre encontros privados, movimentações financeiras e possíveis favorecimentos. Na avaliação de Lula, somente após a exposição completa dos fatos a população terá condições de conhecer a verdade e tomar suas decisões políticas.
Sigilo é retirado de novos processos
André Mendonça havia retirado o sigilo de outros processos ligados às investigações sobre o Banco Master na sexta-feira (11). Entre eles está o inquérito que apura o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal aponta Flávio Bolsonaro como elo com Daniel Vorcaro na captação de recursos para o filme. Segundo a investigação, o dinheiro teria sido administrado posteriormente por Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal. Mendonça também liberou procedimentos que envolvem políticos e movimentações financeiras de grande valor.
PGR pede abertura integral dos autos
A decisão de Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República para abrir todo o processo. O relator foi além da solicitação e incluiu mais 21 procedimentos. A PGR argumentava que a lista disponibilizada anteriormente deixava de fora partes relevantes das investigações da Compliance Zero, o que poderia transmitir uma visão incompleta do caso.
Antes da nova liberação, o presidente do STF, Edson Fachin, havia determinado que a íntegra dos autos da Compliance Zero e da petição 15.556 fosse encaminhada à Presidência da Corte e aos gabinetes de todos os ministros. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin apresentaram pedidos semelhantes.
Entre os procedimentos sem sigilo está uma investigação sobre a atuação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em favor do Banco Master e de Vorcaro, com indícios de repasses financeiros, hipótese negada pelo parlamentar. Também foram liberados dados sobre uma ramificação que envolve Jaques Wagner (PT-BA) e outra investigação concerning uma transferência de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência ao Banco Master, sob análise no caso do ex-governador fluminense Cláudio Castro.
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