Lula relembra trajetória como operário em discurso na ONU
Durante a Assembleia Geral da ONU, Lula destacou sua origem operária, a luta contra a ditadura e a defesa da democracia. O presidente também criticou guerras, o funcionamento do Conselho de Segurança, tarifas comerciais, big techs e apostas online.

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Trajetória pessoal é usada em defesa da democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou sua trajetória como operário, líder sindical e chefe de Estado durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026. Ao defender a paz e a liberdade, Lula apresentou a própria história como exemplo de ascensão política e compromisso com a democracia.
Em um dos trechos mais marcantes da fala, afirmou representar uma nação amante da paz e da liberdade, que lutou contra a ditadura militar e resistiu a um golpe de Estado. O presidente também voltou a citar a conquista de três mandatos presidenciais e a saída do Brasil do Mapa da Fome durante seus governos anteriores.
A referência à trajetória pessoal ocorreu enquanto Lula criticava o imobilismo de potências internacionais diante de guerras e crises humanitárias. Para o presidente, a defesa da democracia precisa vir acompanhada de ações concretas em favor da paz, da soberania dos países e da proteção das populações mais vulneráveis.
Discurso antecipa temas da campanha eleitoral
A apresentação na ONU acontece em um momento decisivo para o presidente, que busca um inédito quarto mandato. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e o PT tem usado a biografia de Lula e o balanço de seus governos como elementos centrais da campanha.
Ao encerrar o discurso, que durou 22 minutos, Lula falou diretamente sobre o ambiente eleitoral. Ele alertou para o impacto da desinformação no debate público e disse que seu grupo político não subestima o desafio representado pelas campanhas destinadas a influenciar a opinião dos eleitores.
Lula critica funcionamento da ONU e do comércio global
O presidente avaliou que esta é uma fase crítica para as Nações Unidas. Segundo Lula, a organização tem falhado em uma de suas missões fundamentais: livrar a humanidade do flagelo da guerra. Ele também afirmou que a credibilidade da entidade e sua capacidade de proteger populações vulneráveis nunca estiveram tão fragilizadas.
Outro alvo foi o Conselho de Segurança, órgão responsável por decisões centrais sobre paz e segurança internacionais. Lula sustentou que a instituição não cumpre adequadamente seu papel e precisa ser observada à luz das desigualdades que ainda marcam as relações entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento.
Na área econômica, o presidente criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão e chantagem entre governos. Ao mencionar a Organização Mundial do Comércio, afirmou que a entidade respira por aparelhos e warned que medidas protecionistas podem produzir consequências negativas para o comércio internacional.
Regulação tecnológica e defesa da soberania
Lula também pediu regulação mais firme para as big techs e para a inteligência artificial. Para ele, a falta de respostas sobre o poder das grandes empresas de tecnologia representa uma omissão histórica e favorece uma forma de neoliberalismo sem regras, concentrada nas mãos de poucos grupos econômicos.
A soberania nacional foi outro tema presente no discurso. Ao afirmar que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, o presidente defendeu autonomia nas decisões externas e internas do país. Ele também se declarou contrário ao modelo atual das bets e criticou o embargo econômico imposto a Cuba, classificando a medida como ilegal.
Agenda em Nova York inclui paz e fome
Esta foi a 11ª participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ele já havia discursado em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Em 2010, Celso Amorim falou em seu lugar.
A viagem presidencial foi curta. Lula chegou a Nova York no domingo, 20 de setembro, e participou de encontros bilaterais, incluindo uma reunião com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani. A agenda também prevê contato com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Além do discurso principal, a comitiva brasileira acompanha debates sobre a Palestina e a solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário. O ministro Mauro Vieira preside reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, enquanto Wellington Dias participa de atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
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