Lula chama de genocídio ação de Netanyahu em Gaza na ONU
Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula classificou como genocídio a ação do governo Netanyahu em Gaza e condenou também os ataques do Hamas contra civis israelenses. O presidente defendeu o TPI, criticou assentamentos na Cisjordânia e fez referências indiretas a Donald Trump ao afirmar que o Brasil não aceita relações de subordinação.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “genocídio” a ação do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. O discurso ocorreu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, em um dos momentos mais tensos para a atuação da ONU em conflitos internacionais.
Lula cita Netanyahu nominalmente
Netanyahu foi o único chefe de governo mencionado nominalmente por Lula durante o pronunciamento. Ao abordar o impacto da guerra sobre a população palestina, o presidente afirmou que gerações inteiras carregarão a dor e o trauma provocados pelo “genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”.
Lula também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses. Segundo ele, a população de Israel pagou um preço alto diante do radicalismo e da intolerância presentes nos atos terroristas do grupo palestino. A fala buscou diferenciar a crítica às ações de governos e organizações armadas da proteção devida aos civis dos dois lados do conflito.
Defesa do TPI e da relatora da ONU
O presidente criticou ainda as pressões contra o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes. Para Lula, a perseguição à corte representa um estímulo à impunidade e enfraquece os mecanismos internacionais criados para investigar crimes graves. Ele defendeu a relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, afirmando que ela “não pode ser silenciada por dizer a verdade”.
Lula voltou a defender a solução de dois Estados como caminho para garantir segurança a israelenses e palestinos. Na avaliação do presidente, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia torna essa possibilidade cada vez menos viável e reduz as chances de uma negotiated settlement capable of ending the cycle of violence.
Crise de credibilidade da ONU
Ao analisar a capacidade das Nações Unidas de lidar com guerras e crises humanitárias, Lula afirmou que a organização atravessa seu momento mais crítico desde sua primeira participação na Assembleia Geral, em 2003. Segundo ele, a instituição falha em uma de suas missões centrais: livrar a humanidade do flagelo da guerra.
O presidente também relacionou a situação de Gaza ao conflito mais amplo no Oriente Médio e à importância do estreito de Ormuz para o comércio internacional. Para Lula, a região se transformou em uma “trincheira da guerra”, embora devesse continuar funcionando como uma passagem estratégica e segura para o transporte global.
Referências indiretas a Trump
Sem mencionar Donald Trump pelo nome, Lula fez referências à política dos Estados Unidos ao tratar da relação entre Brasília e Washington. Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, reconheceu que a proximidade com “a maior potência militar do mundo” é inevitável, mas afirmou que isso não autoriza relações de subordinação.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou o presidente. Ao abordar o combate ao crime organizado, Lula rejeitou a presença de forças militares estrangeiras em águas brasileiras e defendeu cooperação internacional para interromper o fluxo de armas e recursos financeiros que sustentam organizações criminosas.
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