Lula diz que Mendonça liberou informações conforme seus interesses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a atuação do ministro André Mendonça no STF e defendeu a quebra dos sigilos relacionados ao caso. A Corte adiou por até 90 dias a decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a atuação do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal. Em entrevista nesta terça-feira (15 de setembro de 2026), Lula afirmou que informações mantidas em sigilo pelo magistrado deveriam ser disponibilizadas à sociedade.
Presidente defende abertura dos sigilos
Segundo Lula, Mendonça teria divulgado dados das investigações que relatava no STF de acordo com seus interesses. O presidente pediu a quebra do sigilo telefônico de todos os envolvidos e afirmou que aquilo que era tratado como segredo deveria ser conhecido publicamente.
“Que se abra o sigilo de telefone de todo mundo. Aquilo que André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava para ele agora pode ser aberto para toda a sociedade também”, disse Lula.
Questionamentos sobre a sessão no STF
O presidente também questionou a participação de outros ministros na sessão plenária que discutiu a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Lula perguntou quem participava da trama, quem recebeu dinheiro e por que determinados integrantes da Corte não votaram.
Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram da votação. Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo. Nunes Marques afirmou estar impedido por presidir o Tribunal Superior Eleitoral e disse não se sentir confortável para votar em razão da proximidade do pleito.
Lula cobra responsabilização no Supremo
Lula afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, tem condições de identificar a responsabilidade de cada envolvido no episódio. Para o presidente, eventual irregularidade deve ser apurada e punida, sob pena de comprometer a credibilidade da Corte perante a sociedade.
“E quem fez o quê tem de ser punido, tem de ser julgado”, declarou. Lula voltou a defender uma investigação ampla, sem exceções, e afirmou que o país precisa conhecer os fatos para superar a crise institucional.
Decisão sobre Moraes é adiada
O STF adiou a deliberação sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes depois de o ministro Flávio Dino pedir vista dos autos. O pedido concede mais tempo para análise do processo e permite que o julgamento retorne ao plenário em até 90 dias.
Com o adiamento, a decisão poderá ocorrer depois das eleições de outubro. O plenário havia passado o dia debatendo a condução do caso e a necessidade de avaliar previamente questões regimentais levantadas durante a sessão.
Questões regimentais ganham destaque
Antes do início da votação, Gilmar Mendes pediu a análise de uma questão de ordem. O ministro argumentou que haveria procedimentos inadequados na condução do caso por André Mendonça e defendeu que a questão fosse examinada juntamente com um pedido de suspeição apresentado contra o próprio Mendonça.
A sessão foi marcada por debates intensos entre os ministros e expôs novas divergências dentro da Corte. O caso ganhou repercussão nacional e reforçou a pressão por uma solução que preserve a transparência e a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.
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