Lula diz a líderes evangélicos que não fará campanha em templos religiosos
Presidente recebeu pastores brasileiros e estrangeiros no Palácio do Planalto e defendeu que atos políticos sejam realizados em espaços públicos. Ele também falou sobre mulheres nas igrejas, símbolos do PT e reforma no Conselho de Segurança da ONU.

Divulgação
Campanha política deve ocorrer fora dos templos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não utilizará igrejas como espaço para campanha eleitoral ou manifestações políticas. Durante reunião com lideranças evangélicas brasileiras e estrangeiras no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula disse que a decisão está ligada ao respeito à fé dos fiéis.
Segundo o presidente, ele recusa convites para participar de cultos quando o objetivo é abordar temas políticos. “Eu me recuso toda vez que alguém pede para eu ir numa igreja falar de política. Eu não vou porque respeito muito a fé das pessoas”, declarou. Para Lula, comícios e atos de campanha devem ser realizados nas ruas ou em outros espaços públicos.
Lula relaciona atuação das mulheres ao crescimento evangélico
O encontro também abordou a participação feminina nas igrejas. Lula comparou a presença das mulheres nas denominações evangélicas com o espaço reservado a elas na Igreja Católica. Na avaliação do presidente, a maior participação feminina ajuda a explicar parte do crescimento evangélico no Brasil.
Lula criticou o celibato obrigatório para padres católicos e defendeu que as mulheres possam ocupar funções de liderança religiosa. “Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldade”, afirmou.
Presidente relembra símbolos cristãos associados ao PT
Ao recordar os primeiros anos do Partido dos Trabalhadores, Lula disse que usava referências cristãs para explicar elementos ligados à própria imagem e à identidade da legenda. Questionado sobre a cor vermelha da bandeira do PT, o presidente contou que comparava a tonalidade ao sangue de Cristo.
Ele também mencionou a barba, característica marcante de sua aparência pública, e disse que recorria a uma referência bíblica para responder às perguntas sobre o assunto: “Jesus Cristo era barbudo”. As lembranças foram usadas para destacar a presença de elementos cristãos em sua trajetória pessoal e política.
Fé e ascensão política
Lula relacionou sua história de vida à fé e citou a infância no Nordeste, quando enfrentou dificuldades e o risco de morrer de fome ainda criança. Ao destacar que chegou à Presidência da República por três mandatos, afirmou enxergar em sua trajetória uma forma de proteção divina.
“Se Deus pegou o menino que nasceu no Nordeste brasileiro com possibilidade de morrer de fome até 5 anos de idade e fez ele sobreviver, e fez ele chegar à Presidência da República três vezes, não pode ter maior abraço que Deus deu em um ser humano”, disse.
Críticas ao Conselho de Segurança da ONU
A reunião também serviu para Lula antecipar temas que pretende levar à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU e criticou a atuação dos cinco membros permanentes com direito a veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Para Lula, o órgão foi criado para promover a paz e a harmonia, mas tem sido usado de forma inadequada em situações de conflito. Ele também criticou a ausência de decisões em momentos considerados decisivos. “Se vocês se abstêm quando têm que tomar decisão, vocês são covardes. Se não tomam decisão na hora certa, não merecem estar no Conselho de Segurança”, afirmou.
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