Milton Leite é alvo de operação sobre braço político do Pcc em SP
Ex-presidente da Câmara de São Paulo é alvo da Operação Vectura Corrupta, que investiga suposta infiltração do PCC no poder público e em empresas de transporte da capital paulista.

Divulgação
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil, é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 ordens de busca e apreensão.
A investigação apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Os investigadores analisam o controle financeiro e operacional atribuído à facção sobre 12 empresas de ônibus, além de possíveis fraudes em licitações e contratos do setor.
Investigação identifica núcleo de advogados
As autoridades também passaram a investigar o que chamam de “sintonia dos gravatas”, um núcleo de advogados suspeito de atuar diretamente na execução de crimes e na legitimação dos interesses da organização criminosa. O grupo é apontado como parte da estrutura que teria facilitado a aproximação entre integrantes do PCC, empresas e agentes públicos.
Milton Leite informou que está viajando e que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Em nota, afirmou que colaborará com as investigações e que buscará comprovar sua inocência. Ser alvo de uma operação não significa condenação, e a defesa terá oportunidade de contestar as acusações e apresentar versão sobre os fatos investigados.
Trajetória longa na política paulistana
Milton Leite construiu uma trajetória de quatro décadas na política de São Paulo. Foi eleito vereador em sete ocasiões e presidiu a Câmara Municipal em quatro períodos. Deixou a vida pública eletiva em 2025, mas continua atuando nos bastidores partidários e atualmente comanda o União Brasil na capital paulista.
Em julho de 2026, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista, aliança formada pelo União Brasil e pelo PP. A nova investigação ocorre em momento de reorganização política e pode ampliar o escrutínio sobre relações entre partidos, empresas e grupos investigados por crimes organizados.
Investigação começou após apreensão de drogas
A apuração teve início em agosto de 2024, durante a Operação Decurio. A apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, levou investigadores a extrair dados do celular da companheira de um dos líderes do PCC. As informações ajudaram a identificar integrantes de um grupo chamado “sintonia final”.
A partir desses dados, as autoridades descobriram uma fintech supostamente controlada pela facção, que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões. A segunda fase da investigação, chamada Operação Contaminatio, ocorreu em abril de 2026 e investigou tentativas de infiltração em prefeituras para administrar tributos, taxas e serviços de atendimento à população.
Naquela etapa, Polícia Civil e Ministério Público desarticularam uma rede de doleiros e operadores de criptoativos suspeita de lavar dinheiro do PCC. Um ex-vereador de Santo André foi preso. A Vectura Corrupta representa a terceira fase das investigações e amplia o foco para o sistema de transporte e possíveis articulações políticas ligadas à facção.
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