Lula diz na ONU que não cederá à pressão para privatizar o Pix
Durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, Lula defendeu a manutenção do Pix e ligou o tema à soberania digital. Presidente também cobrou regras para big techs, inteligência artificial e apostas on-line.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (22), durante a Assembleia-Geral da ONU em Nova York, que o Brasil não aceitará pressões para privatizar o Pix. A declaração fez parte de um discurso sobre transformação tecnológica, soberania digital e regulação das grandes empresas de tecnologia.
Pix é tratado como política de inclusão financeira
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, disse Lula. Ao defender o modelo atual, o presidente classificou o sistema como uma “infraestrutura de pagamentos pública e gratuita” e destacou seu papel na ampliação do acesso da população aos serviços financeiros.
A fala colocou o Pix no centro de um debate que envolve interesses econômicos, inovação e controle sobre infraestruturas digitais. Para o presidente, a forma como um país organiza e regula suas plataformas de pagamento tornou-se parte essencial de sua autonomia tecnológica.
Presidente cobra regras para big techs e inteligência artificial
Lula também criticou o que chamou de “omissão histórica” diante dos desafios criados pelas big techs e pela inteligência artificial. Segundo ele, parte relevante do setor tecnológico avança em uma “corrida sem freios éticos”, sem respeitar adequadamente os debates promovidos pela ONU e por painéis científicos especializados.
O presidente defendeu regras capazes de limitar abusos e proteger os cidadãos dos efeitos de algoritmos cada vez mais presentes no trabalho, no consumo, nas relações sociais e no acesso à informação. Lula argumentou que empresas conscientes dos riscos de seus produtos não podem transferir exclusivamente para famílias e usuários a responsabilidade por lidar com essas tecnologias.
Discurso também critica apostas on-line
As apostas esportivas e os jogos on-line foram outro alvo do presidente. Lula afirmou que parte desse mercado transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento e o agravamento de problemas familiares. “O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, declarou.
Ele citou a legislação aprovada pelo governo como um instrumento para ampliar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital. O discurso também abordou a necessidade de garantir remuneração justa a artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual.
Agenda do Brasil na ONU
Esta foi a 11ª participação de Lula na abertura da Assembleia-Geral da ONU como presidente da República. Antes do discurso, ele realizou reuniões bilaterais, incluindo um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e mantém na agenda contato com o secretário-geral da organização, António Guterres.
A comitiva brasileira também participa de debates sobre a Palestina e a solução de dois Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário. O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, preside reunião da Zopacas, enquanto Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, participa de atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
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