Lula discursa na ONU e defende cooperação contra o crime organizado
Presidente fala nesta terça-feira, às 10h, na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU. Discurso deve reforçar o multilateralismo, a soberania nacional e a cooperação internacional contra o crime organizado e os crimes ambientais.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (22), às 10h, no horário de Brasília, durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O pronunciamento ocorre em um momento de tensão internacional e deve reforçar a defesa brasileira pelo multilateralismo e pela cooperação entre países.
Cooperação contra o crime organizado
Lula deve destacar a necessidade de ações conjuntas para enfrentar o crime organizado transnacional. A fala também abordará os esforços do governo para ampliar acordos bilaterais com países vizinhos e com os Estados Unidos, além da busca por mecanismos mais eficientes de troca de informações e integração entre autoridades.
A delegação brasileira também apresentará negociações preliminares para a criação de um protocolo voltado ao combate de crimes ambientais. A proposta busca fortalecer a resposta internacional a ilícitos que afetam biomas, comunidades tradicionais e populações indígenas, temas que integram a pauta externa do governo.
Soberania e multilateralismo
Outro ponto esperado no discurso é a defesa do fim de interferências estrangeiras em assuntos internos. A minuta da fala não menciona o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem o Escudo das Américas, iniciativa de segurança vista pelo Planalto como uma possível reedição do Plano Colômbia.
A orientação deve manter o tom adotado por Lula em 2025, quando o presidente afirmou que a democracia e a soberania brasileiras são “inegociáveis”. A postura reforça a tentativa do governo de equilibrar o diálogo com Washington e a defesa de uma ordem internacional baseada em negociações coletivas, sem imposições unilaterais.
Brasil abre os trabalhos por tradição
O Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU por tradição consolidada desde a década de 1950. Donald Trump falará na sequência. Não há reunião bilateral oficialmente prevista entre os dois presidentes, embora exista a possibilidade de um encontro durante a abertura dos trabalhos.
Esta será a 10ª participação de Lula no evento como presidente. Ele esteve presente seis vezes nos dois primeiros mandatos e discursou na ONU em 2023, 2024, 2025 e 2026. O número evidencia a importância atribuída pelo Planalto ao organismo multilateral como espaço de articulação política e diplomática.
Agenda internacional e comitiva
Antes do discurso, Lula se reuniu na segunda-feira (21) com Zohran Mamdani, prefeito eleito de Nova York. Nesta terça-feira, também está prevista uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que deixará o cargo em 31 de dezembro.
A agenda da delegação brasileira seguirá nos dias seguintes. Na quarta-feira (23), o chanceler Mauro Vieira participará de uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Na quinta-feira (24), presidirá um encontro ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
Lula viajou para os Estados Unidos acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e dos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Esther Dweck, da Gestão; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial. Ao todo, 73 pessoas foram autorizadas a integrar a comitiva, em um grupo menor do que o de anos anteriores.
A viagem será mais curta devido ao calendário eleitoral no Brasil. Lula está programado para retornar ainda nesta terça-feira, após cumprir os compromissos na sede da ONU.
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