Lula defende mudança na indicação de ministros do STF e propõe colegiado com sociedade civil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugere um novo modelo para a escolha de membros do Supremo Tribunal Federal, com participação da sociedade civil antes da votação no Senado, argumentando que a influência do Executivo cessa após a posse.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, em entrevista recente, a defesa por uma alteração significativa no processo de indicação de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta central do chefe do Executivo é a criação de um colegiado que envolva a sociedade civil na avaliação dos pré-candidatos, antes mesmo de seus nomes serem encaminhados para aprovação no Senado Federal. Lula argumenta que o modelo atual, onde a indicação recai primordialmente sobre a vontade do presidente da República e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), necessita de um escrutínio mais amplo e democrático.
Um colegiado para ampliar o crivo da escolha
A ideia de Lula é que este colegiado, cujos contornos e composição ainda precisam ser detalhados, funcione como uma instância deliberativa prévia. O objetivo seria assegurar que os indicados possuam um perfil que transcenda a esfera puramente política ou corporativa, incorporando uma perspectiva mais abrangente da sociedade. Essa etapa adicional visa aprofundar a análise dos candidatos, garantindo que passem por um filtro mais robusto antes de chegarem à análise final do Senado, órgão constitucionalmente responsável pela aprovação.
A transição da indicação para a toga
O presidente fundamenta sua visão na experiência prática de indicar nomes para o Supremo e, posteriormente, observar suas decisões. Lula destacou a transformação que ocorre quando um jurista assume a cadeira no STF: “Uma coisa é quando você indica. Outra coisa é quando bota toga. Quando o cara coloca toga, ele vira Deus. Aí foi o presidente que indicou, mas não tem mais nenhuma interferência”. Essa observação aponta para a percepção de que, uma vez empossados, os ministros adquirem uma independência que, embora essencial para a função jurisdicional, pode divergir das expectativas iniciais do poder que os indicou.
Contexto de reformas e a Constituição
A discussão sobre a reforma do Judiciário e a forma de indicação para o STF não é nova e ganha contornos específicos com a apresentação de Propostas de Emenda à Constituição (PEC) pelo PT. Uma dessas propostas, por exemplo, sugere mandatos de até 10 anos para ministros de tribunais superiores e amplia a participação da sociedade civil em órgãos de controle, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Contudo, a PEC em questão preserva as competências atuais de indicação e aprovação. A Constituição Federal, em seu texto atual, estabelece que cabe ao presidente da República indicar os ministros do STF, submetidos à aprovação por maioria absoluta do Senado, exigindo notável saber jurídico e reputação ilibada, além de limites de idade.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.







