Lula defende Ia em português e maior autonomia tecnológica do Brasil
Durante comício em Maceió, o presidente defendeu a formação de jovens para setores tecnológicos e a criação de modelos de inteligência artificial baseados na língua e na realidade brasileira. Proposta está ligada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e a investimentos em infraestrutura, pesquisa e capacitação.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante comício em Maceió, o desenvolvimento de inteligência artificial em língua portuguesa e a redução da dependência brasileira de tecnologias produzidas nos Estados Unidos e na China. A proposta foi apresentada em um discurso sobre educação, formação profissional e soberania tecnológica, a dez dias do primeiro turno das eleições.
Formação de jovens para a nova indústria digital
Lula afirmou que o país precisa preparar jovens para atuar em áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, transição energética, minerais críticos e terras-raras. Para o presidente, a capacitação de mão de obra nacional é condição essencial para que o Brasil participe com mais força da economia tecnológica e não dependa exclusivamente de soluções externas.
“Eu quero inteligência artificial em língua portuguesa e não em inglesa ou chinesa”, disse Lula. A declaração reforça a defesa de modelos capazes de compreender as particularidades culturais, sociais e linguísticas do país, além de reduzir a necessidade de utilizar plataformas e sistemas desenvolvidos por outras potências.
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial
A proposta dialoga com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê o desenvolvimento de modelos avançados de linguagem treinados com dados nacionais. A iniciativa também contempla investimentos em infraestrutura computacional, pesquisa, inovação e capacitação profissional, com recursos que podem chegar a cerca de R$ 23 bilhões até 2028.
O governo também anunciou a implantação de um supercomputador voltado ao desenvolvimento e ao treinamento de modelos de IA. O equipamento deverá atender órgãos públicos, universidades, centros de pesquisa e empresas do ecossistema nacional de inovação.
Brasil busca ampliar autonomia tecnológica
Outra frente do plano é a chamada Nuvem Brasileira, estrutura destinada ao armazenamento e ao processamento de dados no país. A iniciativa envolve o Serpro, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o BNDES e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
No discurso, Lula relacionou o avanço tecnológico à ampliação do acesso à educação e citou programas como Prouni, Fies e Pé-de-Meia. O presidente defendeu que a qualificação de jovens pode abrir caminho para empregos mais especializados e aumentar a competitividade do Brasil em setores de alta complexidade.
O comício em Maceió reuniu aliados do presidente em Alagoas, incluindo Renan Filho, Paulo Dantas e Renan Calheiros. Lula também pediu votos para candidatos de seu campo político nas disputas ao Congresso Nacional, às assembleias legislativas e ao Senado, defendendo a formação de uma base de apoio para um eventual novo mandato.
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