Lula declara apoio a Delúbio Soares, condenado no mensalão e na Lava Jato
Presidente Lula divulga vídeo pedindo voto para Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, que disputa vaga na Câmara por Goiás e já foi condenado em escândalos de corrupção.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou publicamente seu apoio à candidatura do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de Goiás. A declaração foi feita por meio de um vídeo divulgado nesta segunda-feira (28 de setembro de 2026), no qual Lula pede um "voto especial" para um "companheiro que foi vítima da maior perseguição já feita na história". O presidente enfatizou que Delúbio merece a oportunidade de "recuperar sua dignidade", estabelecendo uma ligação direta entre seu próprio eleitorado e o do ex-tesoureiro, ao afirmar que "quem vota em mim [Lula], vota em Delúbio 1390".
Apoio em vídeo e histórico político
No vídeo, que carrega a marca d'água da campanha de Delúbio Soares, Lula reforça sua proximidade com o ex-militante, que é um dos fundadores do PT e esteve ao lado do presidente em diversas campanhas presidenciais e momentos cruciais da história do partido. A candidatura de Delúbio representa um retorno à cena política após um período marcado por seu envolvimento em investigações e condenações relacionadas a escândalos de corrupção que abalaram o país.
Condenações e cumprimentos de pena
Delúbio Soares enfrentou condenações em dois dos mais notórios esquemas de corrupção investigados no Brasil: o mensalão e a operação Lava Jato. No caso do mensalão, em 2013, o Supremo Tribunal Federal o condenou por formação de quadrilha e corrupção ativa, crimes ligados ao esquema de suborno de congressistas. Embora a condenação por formação de quadrilha tenha sido anulada posteriormente pelo STF, ele cumpriu cerca de 10 meses de pena. Já em relação à Lava Jato, em 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região o condenou por lavagem de dinheiro. Essa pena, inicialmente de 5 anos, foi aumentada para 6 anos, e ele cumpriu 1 ano e 5 meses. No entanto, em março de 2023, o Superior Tribunal de Justiça anulou integralmente essa condenação, determinando a remessa do processo à Justiça Eleitoral por entender que crimes comuns conexos a eleitorais devem ser processados por essa esfera. Ao todo, o ex-tesoureiro cumpriu aproximadamente 2 anos e 3 meses de pena em regimes fechado e semiaberto.
Lula e o apoio a figuras condenadas
Este não é o primeiro caso em que o presidente Lula demonstra apoio a figuras políticas que enfrentaram condenações judiciais em decorrência de escândalos de corrupção. Anteriormente, o presidente já havia declarado apoio a José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e também condenado no mensalão, que também disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Na ocasião, Lula classificou a eleição de Dirceu como uma "reparação histórica", evidenciando uma linha de defesa e apoio a correligionários que passaram por processos judiciais.
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