Lula comenta suposto whisky e questiona "liberdade" de advogado em caso de ex-banqueiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre um suposto presente de whisky dado pelo advogado Walfrido Warde, representante do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Lula afirmou ter consumido a bebida, caso a tenha recebido, e criticou a "certa liberdade" que lobistas tomam ao reportar proximidade com autoridades, em meio a mensagens encontradas no celular de Vorcaro que sugeriam o agradecimento presidencial.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre as recentes revelações envolvendo o advogado Walfrido Warde, representante do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e um suposto presente de whisky. Em entrevista concedida no último domingo (27.set.2026), o chefe do Executivo afirmou que, caso tenha recebido a bebida, já a consumiu, ressaltando que não costuma registrar quem lhe oferece 'lembranças'. Sua declaração, “Eu não sei se deu, mas se deu, já bebi. Eu não fico contando quem me dá whisky. Eu ganho muita coisa, lembrança”, adiciona um capítulo de leveza e crítica a uma discussão complexa sobre ética e lobby.
A origem da controvérsia e as mensagens
A declaração do presidente surge em meio à repercussão de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em uma dessas conversas, datada de 22 de janeiro de 2025, Walfrido Warde teria informado ao ex-banqueiro que Lula havia agradecido ‘mais uma vez o whisky’ e enviado um abraço. Diante do questionamento dos jornalistas, Lula negou ter conhecimento do teor da conversa atribuída a Warde, distanciando-se do conteúdo reportado pelo advogado. “A conversa do Valfiro eu nego, não sei o que que ele falou”, declarou o presidente, sublinhando a falta de controle sobre as comunicações de terceiros.
Lula e a 'liberdade' dos lobistas
O presidente foi enfático ao sugerir que Warde teria agido com 'certa liberdade' ao comunicar a Vorcaro que poderia intermediar temas de interesse do ex-banqueiro junto à presidência. Lula questionou a veracidade de tudo que é dito por um 'advogado lobista', ponderando: “Mas você acredita em tudo que um advogado lobista fala? […] Como é que eu posso controlar a língua do advogado?”. Ele argumentou ainda que mensagens ou conversas, por si só, não são prova de que as ações descritas realmente ocorreram, indicando que lobistas podem, por vezes, exagerar relatos de proximidade com autoridades para benefício próprio ou de seus clientes. Essa observação lança luz sobre a dinâmica da influência e dos bastidores do poder.
O encontro com o ex-banqueiro e a versão oficial
O contexto se adensa com detalhes sobre um encontro entre Lula e Vorcaro. Informações apontam que Warde teria articulado para que Vorcaro pudesse tratar assuntos com o presidente, inclusive com a suposta participação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula. Contudo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) esclareceu que o presidente se encontrou com Vorcaro apenas uma única vez, em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A Secom reforçou que Lula não recebeu presente na ocasião e não teve conhecimento de qualquer articulação entre Warde e o fundador do Banco Master, versão que foi reiterada pelo próprio presidente na entrevista. Lula disse ainda que não sabia onde Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, trabalhava ou quanto recebia quando intermediou o encontro, reforçando que atende centenas de empresários de todos os níveis.
Sobre a reunião de dezembro de 2024, o presidente relatou que Vorcaro afirmou estar sendo perseguido, e a orientação dada foi para que eventuais denúncias fossem tecnicamente analisadas pelo Banco Central. Essa versão também consta da nota da Secom. Daniel Vorcaro, por sua vez, foi detido pela Polícia Federal no âmbito das investigações que levaram à liquidação do Banco Master em novembro de 2025, adicionando uma camada de complexidade e seriedade ao cenário das alegações e dos encontros na esfera política e empresarial.
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