Lula aponta crise no STF como obstáculo em 2º turno e defende nova reforma judicial
Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no 1º turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que a crise no Supremo Tribunal Federal pesa contra sua campanha. Ele defendeu uma reforma no Judiciário, com debate sobre os critérios de escolha dos ministros da Corte, classificando a situação como uma 'promiscuidade instalada'.

Divulgação
Após um primeiro turno acirrado que o colocou na segunda posição, atrás de Flávio Bolsonaro (PL) por uma margem de pouco menos de dois pontos percentuais (45,16% contra 47,03% do adversário), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma análise contundente sobre os desafios de sua campanha. Nesta segunda-feira (5.out.2026), em um encontro emergencial com aliados em Brasília, Lula reconheceu que a instabilidade no Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido um peso significativo para suas chances no segundo turno. Acompanhado de sua equipe, o chefe do Executivo não apenas diagnosticou o problema, mas também propôs um caminho para solucioná-lo: uma ampla reforma no Judiciário, que inclua a sociedade no debate sobre os critérios de escolha dos ministros da mais alta Corte do país.
Presidente aponta "promiscuidade instalada" no STF
O presidente petista não poupou críticas ao que descreveu como uma “promiscuidade instalada” no Supremo, apontando-a como a principal fonte do desgaste institucional que afeta sua corrida eleitoral. “Estamos carregando nas costas, sabe, uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, afirmou. A declaração reforça a percepção de que a credibilidade da instituição está em jogo, e para Lula, essa situação exige uma intervenção profunda. Ele relembrou tentativas anteriores de reforma, como a conduzida pelos ex-ministros da Justiça Márcio Thomaz Bastos e Nelson Jobim, à época presidente do Supremo, ressaltando que tais esforços “não deram o resultado” esperado porque “o corporativismo tomou conta dos conselhos”.
Reforma judicial com participação social
Para o presidente, o foco da nova reforma judicial precisa ser a participação popular. A sociedade, segundo ele, deve estar no centro das discussões sobre como os futuros ministros da Corte serão indicados e qual será o papel de cada esfera na formação do Judiciário. “Precisamos definir qual é o papel da sociedade nessa reforma. Nós precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher um ministro da Suprema Corte”, declarou, sublinhando a urgência de um processo transparente e democrático para a seleção dos membros do STF. A proposta sugere uma ruptura com os modelos tradicionais, buscando maior legitimidade e confiança pública para as decisões tomadas pelo órgão máximo do poder Judiciário brasileiro.
Origem da crise e diálogos que levantaram dúvidas
O contexto que levou a essa profunda “desconfiança institucional”, como Lula classificou, remonta ao dia 1º de setembro. Foi nesse período que o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de uma ação envolvendo a investigação de Daniel Vorcaro. A decisão trouxe à tona mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, revelando diálogos que levantaram sérias questões sobre a proximidade entre partes envolvidas em processos judiciais. Em uma das conversas, Vorcaro, ex-dono do Master, perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionou em 15 de novembro de 2025, e no dia seguinte, reforçou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Apesar de os registros recuperados não permitirem uma reconstrução integral das conversas, com respostas de Moraes a Vorcaro ausentes em parte dos diálogos, o teor das mensagens foi suficiente para alimentar o debate e a preocupação sobre a ética e a conduta no Judiciário. Concluindo sua fala, o presidente reiterou que “a verdade é que ninguém está acima da lei, e nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, enfatizando a seriedade da situação. “Quando você chega a uma situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave. Então, esse é um tema que nós vamos ter que encarar nesta campanha”, finalizou Lula, sinalizando que a pauta da reforma judicial e da crise no STF será central em sua estratégia para o segundo turno da eleição.
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