Lindbergh pede ao STF investigação sobre Flávio Bolsonaro em esquema nos Correios
Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) aciona o Supremo Tribunal Federal solicitando a reabertura de investigações sobre suposto envolvimento do senador Flávio Bolsonaro em um esquema de fraude nos Correios que teria causado um prejuízo de R$ 94 milhões à estatal.

Divulgação
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a reabertura das investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no contexto da operação Postal OFF. A ação, deflagrada em 2019, apura um esquema de fraude que teria gerado um rombo de, no mínimo, R$ 94 milhões aos cofres dos Correios.
Esquema de subfaturamento e cargos em jogo
Segundo as apurações iniciais, o esquema consistia no recebimento de um grande volume de correspondências com a cobrança de valores inferiores aos efetivamente devidos. A fraude seria viabilizada pela atuação de funcionários e dirigentes em posições estratégicas dentro dos Correios, capazes de autorizar o subfaturamento e de contornar os mecanismos de controle interno da empresa.
Referências a senador em nomeações e negociações
Na petição apresentada ao STF, Lindbergh Farias destaca a existência de três menções independentes que apontariam para a atuação de um senador na intermediação de nomeações para cargos nos Correios. Esses episódios teriam ocorrido entre dezembro de 2018 e abril de 2019. O deputado argumenta que essas referências deveriam ter sido investigadas de forma conjunta com as demais evidências coletadas na operação Postal OFF. Uma das menções, em conversa de dezembro de 2018, sugere que um empresário ligado ao Grupo Positiva teria acesso a um senador para encaminhar demandas relativas a cargos na estatal. Documentos e registros telefônicos posteriores também indicariam conexões com Flávio Bolsonaro.
Áudios e diligências ausentes
Lindbergh Farias alega que os elementos que se referem a Flávio Bolsonaro não foram devidamente investigados. A petição aponta que áudios cruciais permaneceram fora dos autos por mais de um ano, sendo anexados apenas em fevereiro de 2021, após o encerramento da fase ostensiva da operação. O deputado sustenta que, mesmo após a inclusão tardia desses arquivos, não foram realizadas diligências para confrontar os relatos com outras provas, como registros de entrada em prédios, agendas, viagens e dados telefônicos dos envolvidos. O caso chegou ao STF em abril de 2021, e após análise da Procuradoria Geral da República, o ministro Kassio Nunes Marques devolveu o processo à primeira instância em dezembro de 2021, considerando que a simples menção ao senador não era suficiente para a investigação. A defesa de Lindbergh argumenta que, como Flávio Bolsonaro não foi formalmente investigado, a apuração pode ser retomada.
Pedido de preservação de provas e redistribuição
Além da solicitação de reabertura da investigação, Lindbergh Farias pede ao STF a preservação urgente de provas, incluindo arquivos de áudio originais, registros de entrada, agendas, documentos de nomeações e registros de viagens. O pedido também inclui perícia para verificar a autenticidade dos arquivos e a oitiva de pessoas citadas. O deputado ainda solicita que o inquérito seja distribuído por sorteio a outro ministro do STF, argumentando que Kassio Nunes Marques não deveria ser considerado prevento para o caso.
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