Kassio Nunes Marques bloqueia Gilmar Mendes após cobrança de prestação de contas
Uma troca de mensagens entre ministros do STF terminou com o bloqueio de Gilmar Mendes por Kassio Nunes Marques no WhatsApp. O episódio ocorre em meio ao julgamento sobre a possível abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Divulgação
Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF), terminou com o bloqueio de Gilmar no WhatsApp. O episódio ocorreu em 8 de setembro de 2026, quando Gilmar cobrou a abertura de contas, sugeriu a saída de Nunes Marques da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e adotou um tom considerado desrespeitoso pelo colega.
Cobrança por abertura de contas
Na conversa, Gilmar pediu que Nunes Marques e o ministro Luiz Fux “abrissem as contas” antes de participar de decisões relacionadas ao caso. Em outro trecho, afirmou que Nunes Marques deveria deixar o TSE. O ministro respondeu que prestava contas havia 15 anos e pediu respeito, dizendo que não conversaria com quem não o respeitasse. Gilmar encerrou o diálogo com expressões como “eu entendo de malandro” e “tramoias”.
A troca de mensagens aconteceu no mesmo dia em que a 2ª Turma do STF analisava questões relacionadas ao afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Gilmar estava na Itália e enviou as mensagens após as 18h no horário de Brasília, quando já passava das 23h no fuso europeu.
Impedimento no caso Vorcaro-Moraes
Sete dias depois, em 15 de setembro, Nunes Marques informou ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao ministro André Mendonça que se declarava impedido de participar do julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Ele citou a condição de presidente do TSE e o fato de o caso estar sendo analisado a 19 dias das eleições, quando uma decisão da Corte poderia produzir reflexos no ambiente político-eleitoral.
Durante a sessão, Nunes Marques negou que seu filho, o advogado Kevin Marques, tenha prestado serviços ao Banco Master ou recebido valores da instituição. Também afirmou não manter relação com o banco e declarou ter “absoluta isenção”. Mensagens atribuídas a participantes do caso mencionam Kevin Marques e supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil por meio da Consult Inteligência Tributária, alegações rejeitadas pelo ministro.
Plenário decidirá sobre investigação
O caso começou a ganhar novo capítulo em 1º de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que registra interlocução entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo o documento, Vorcaro teria pedido interferência do ministro nas investigações antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O material também aponta contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre.
Agora, o plenário do STF precisa decidir se a Polícia Federal poderá continuar as apurações. A Procuradoria-Geral da República questionou a validade do procedimento e argumentou que diligências contra pessoas determinadas não poderiam ter sido conduzidas sem iniciativa da própria polícia ou pedido do Ministério Público. A PGR também sustentou que uma investigação contra ministro da Corte depende de autorização do plenário e deve ser encaminhada à Presidência do Tribunal.
Disputa institucional se amplia
O confronto processual ganhou outra frente depois que Alexandre de Moraes pediu a investigação de André Mendonça por alleged abuso de autoridade e improbidade administrativa. O pedido foi baseado em um relatório de inteligência da Polícia Federal, descrito como documento interno e sem valor probatório, que teria indicado direcionamento das investigações sobre o Banco Master. Edson Fachin avocou a relatoria, enquanto Andrei Rodrigues permanece no comando da corporação até uma análise mais detalhada da disputa.
Em 16 de setembro, a Polícia Federal informou indícios de venda de influência envolvendo o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens atribuídas a Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, indicam que o deputado afirmava ter acesso a Nunes Marques e André Mendonça. Os dois ministros não são investigados nesse procedimento.
O bloqueio no WhatsApp encerra o contato direto entre os ministros, mas não resolve as questões de fundo. A disputa reúne temas sensíveis, como transparência patrimonial, suspeitas de conflito de interesses, independência institucional e validade de investigações envolvendo autoridades do próprio STF. A assessoria de Gilmar Mendes não apresentou manifestação até o fechamento desta reportagem.
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