Governo recorre a Fachin para tentar reverter afastamento do diretor-geral da PF
O governo pediu ao ministro Edson Fachin a suspensão da liminar que afastou Andrei Rodrigues da direção‑geral da Polícia Federal, alegando que a decisão de André Mendonça fere a prerrogativa presidencial e gera risco de desorganização institucional.

Divulgação
O governo federal recorreu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na tentativa de suspender a decisão do colega André Mendonça que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor‑geral da Polícia Federal. O pedido foi formalizado como uma suspensão de liminar, instrumento que, diferentemente dos recursos comuns, é encaminhado diretamente à Presidência da Corte, colocando a análise inicial nas mãos de Fachin.
Pedido de suspensão de liminar e tramitação no STF
A Advocacia‑Geral da União (AGU) argumenta que a medida monocrática de Mendonça interfere na prerrogativa presidencial de indicar quem ocupa a direção‑geral da PF, configurando uma lesão à ordem pública e administrativa. Segundo a AGU, o afastamento cria risco concreto de desorganização institucional, podendo afetar operações de inteligência e atividades policiais em curso. O órgão destaca que a preservação da continuidade administrativa e da previsibilidade das estruturas de comando constitui interesse público qualificado, que deve ser levado em conta pelo Supremo ao apreciar o pedido.
Fundamentação de André Mendonça e contexto das investigações
Mendonça justificou o afastamento alegando a necessidade de evitar constrangimentos ilegais enquanto o advogado‑geral Jorge Messias, ministros do STF e integrantes da PF exercem suas atribuições. A decisão ocorreu no auge da crise envolvendo investigações sobre o Banco Master e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde relatórios não identificados da PF teriam sido usados pelo ministro Alexandre de Moraes para apontar possíveis ilícitos atribuídos a Mendonça, incluindo abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Além de Rodrigues, o delegado Leandro Almada, da Diretoria de Inteligência Policial, também foi afastado, e Mendonça determinou a suspensão da produção e compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados no exercício de funções constitucionais.
Posicionamento do advogado‑geral e possíveis desdobramentos
Antes de recorrer ao STF, Messias tentou um caminho de diálogo institucional, apesar de setores da PF defenderem uma reação judicial da AGU. Relatórios sem autoria formal atribuídos à PF indicam que ele teria evitado contestar as decisões de Mendonça para preservar sua relação política com o ministro, o que, segundo o documento, aumenta a percepção de risco associada a uma eventual renovação de sua indicação ao Supremo. Fachin, além de analisar o pedido de suspensão, avalia eventuais mudanças na relatoria dos processos relacionados ao Banco Master e às fraudes no INSS, atualmente sob a responsabilidade de Mendonça, o que pode influenciar o desenrolar do impasse entre os poderes.
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