Gonet nega interferência em favor de Vorcaro em procedimento no Mpf
O procurador-geral da República rebateu questionamentos sobre sua relação com Daniel Vorcaro e defendeu que não há impedimento para atuar nas investigações envolvendo o Banco Master. O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidirá em setembro se mantém Gonet na condução dos trabalhos.

Divulgação
Defesa de ausência de impedimento
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou defesa em procedimento interno do Conselho Superior do Ministério Público Federal após ser citado em relatório da Polícia Federal relacionado às investigações sobre o Banco Master. Gonet negou ter interferido em favor do empresário Daniel Vorcaro e sustentou que não existe qualquer impedimento jurídico para continuar na condução dos trabalhos.
O colegiado deverá avaliar em 25 de setembro se mantém o procurador-geral à frente das apurações. Em sua manifestação, Gonet argumentou que a eventual tentativa de constrangê-lo não pode resultar em afastamento automático, especialmente quando, segundo sua defesa, há ilegalidade na própria abertura da apuração interna.
Contato único em evento internacional
Gonet reconheceu ter se encontrado uma única vez com Vorcaro, durante evento realizado em Londres e financiado pelo empresário. O procurador-geral participou do encontro como palestrante, ao lado dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Segundo Gonet, houve apenas momentos de convivência entre os convidados e não qualquer contato posterior relevante com Vorcaro. Ele destacou que, à época, ainda não havia informações públicas sobre supostas irregularidades atribuídas ao Banco Master ou ao seu dirigente. Para o procurador-geral, esse episódio não cria conflito de interesses nem compromete sua atuação funcional.
Pontos citados no relatório da Polícia Federal
O relatório da Polícia Federal menciona uma degustação de uísque Macallan durante o evento, com custos financiados pelo Banco Master. O documento também registra que Gonet teria solicitado o custeio da viagem de seu filho. Esses elementos integram a análise sobre a necessidade de verificar a independência do procurador-geral nas investigações relacionadas à instituição financeira.
De acordo com o relatório, Vorcaro teria enviado mensagem ao ministro Alexandre de Moraes pedindo intervenção nas investigações, com possível apoio de Gonet e Andrei Rodrigues. O procurador-geral rebate a interpretação e afirma que o próprio documento indica que Vorcaro não tinha seu contato telefônico salvo, elemento que, em sua avaliação, não demonstra relação pessoal ou articulação anterior entre os dois.
Críticas à condução da apuração
Gonet também criticou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a produção do relatório da Polícia Federal. Na manifestação enviada ao Conselho Superior, o procurador-geral afirmou que a investigação foi orientada, sem a oitiva prévia do Ministério Público, a buscar o envolvimento de Alexandre de Moraes, da Procuradoria-Geral da República e da chefia da Polícia Federal.
Conselho Superior analisará próximos passos
O procedimento interno tem como relator o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, chefe da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável por temas criminais. O Conselho Superior é a instância máxima do Ministério Público Federal para avaliar possíveis crimes comuns atribuídos ao procurador-geral da República.
Caso encontre indícios suficientes, o colegiado poderá indicar um subprocurador-geral para conduzir eventual investigação. A análise, porém, não representa uma conclusão sobre a existência de irregularidades. Até a decisão, Gonet mantém a tese de que sua conduta foi legal e de que nada justifica seu afastamento dos procedimentos envolvendo o Banco Master e seu antigo gestor.
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