Gonet deve ir a sessão sobre conversas envolvendo Moraes no STF
Paulo Gonet deve participar da sessão plenária extraordinária marcada para esta terça-feira, 15 de setembro, quando o STF analisará relatório da Polícia Federal sobre conversas envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O rito do julgamento ainda será definido.

Divulgação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve comparecer à sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal marcada para esta terça-feira, 15 de setembro de 2026. O plenário analisará o relatório da Polícia Federal que examina comunicações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A participação de Gonet ganhou relevância porque o procurador-geral também aparece nas comunicações recuperadas durante a investigação. Segundo o material, o advogado Ciro Soares atuava como intermediário entre Gonet e Vorcaro. Em uma mensagem de 2024, Soares descreveu Gonet como uma pessoa firme. Em março de 2025, enviou uma fotografia ao lado do procurador-geral e informou que ele queria falar com Vorcaro. O contato teria sido seguido por uma ligação telefônica de quatro minutos.
Rito da sessão ainda será definido
O formato dos trabalhos ainda não está definido porque o STF não possui um rito estabelecido para uma situação semelhante. Gonet reuniu-se com o presidente da Corte, Edson Fachin, na sede do tribunal para discutir os desdobramentos do caso. Na sexta-feira, 11 de setembro, Fachin conduziu conversas individuais e coletivas com os ministros para avaliar o andamento da sessão.
A sessão extraordinária começará às 10h. Fachin já defendeu que o julgamento seja público e transparente, mas os ministros ainda precisam definir a extensão da análise, a participação dos envolvidos e a forma de votação. A decisão sobre o rito será determinante para estabelecer quais documentos poderão ser examinados e como serão tratadas as manifestações dos ministros citados no relatório.
Pedido de quebra de sigilo
No sábado, 12 de setembro, Gonet não assinou uma petição apresentada ao presidente do STF que solicitava a quebra integral do sigilo do caso Master. O documento foi firmado pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, que também atua na investigação. Fachin acolheu o pedido. A manifestação não esclareceu o motivo da ausência da assinatura de Gonet.
Relatório da Polícia Federal
O inquérito é relatado pelo ministro André Mendonça. De acordo com os agentes da Polícia Federal, Vorcaro recebeu informações sobre o cerco investigativo que se formava ao seu redor e chegou a considerar deixar o país após receber um conselho de Moraes. A investigação também aponta que o ministro participou da edição da versão final de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
Além de Alexandre de Moraes, mensagens recuperadas pela Polícia Federal mencionam os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Nunes Marques e André Mendonça. A presença de cada um deles no material terá de ser avaliada dentro do rito definido pelo plenário, sem que as citações sejam confundidas, por si só, com responsabilização.
Moraes questiona condução de Mendonça
Em ofício enviado a Fachin, Moraes pediu que o julgamento seja associado ao exame de acusações dirigidas contra André Mendonça. Na manifestação, o ministro afirmou haver indícios de parcialidade na condução do processo pelo colega. Moraes citou outro relatório da Polícia Federal, cuja valia probatória foi questionada, para sustentar suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento a grupos políticos.
O Regimento Interno do STF permite que um ministro declare impedimento para atuar em um processo quando reconhece uma situação legal capaz de comprometer sua atuação. A declaração, contudo, não é obrigatória. Caberá ao plenário decidir como processar os pedidos e se haverá análise conjunta das questões apresentadas por Moraes e Mendonça.
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