General critica foto de Flávio Bolsonaro com Trump como "posição de subalterno"
Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, avalia que a busca por interferência dos EUA na política brasileira configura "traição" e "submissão voluntária".

Divulgação
O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que ocupou o cargo de ministro da Secretaria de Governo durante a gestão de Jair Bolsonaro, teceu críticas contundentes a uma fotografia que retrata Flávio Bolsonaro ao lado do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A imagem, registrada em maio de 2026 na Casa Branca, em Washington, foi classificada pelo general como uma "posição de subalterno". Na ocasião, Flávio Bolsonaro, então senador e pré-candidato à Presidência, apareceu em pé ao lado de Trump, que estava sentado no Salão Oval. O encontro foi intermediado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo jornalista Paulo Figueiredo.
Em entrevista ao canal Revelando, Santos Cruz expressou sua visão de que existe uma "submissão voluntária" de alguns brasileiros em relação aos Estados Unidos. Ao comentar a proximidade de políticos brasileiros com o governo americano, o general criticou veementemente aqueles que, em sua opinião, se colocam em uma posição de inferioridade. "Se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo", declarou, referindo-se a essa atitude.
O general também direcionou críticas ao uso de bonés com a inscrição "Make America Great Again" por parte de políticos brasileiros, considerando tal gesto como uma demonstração de submissão voluntária. "Isso é um negócio que você não tem igual no mundo, pode procurar", afirmou, enfatizando que essa prática é incomum em outros contextos globais. "São pessoas que se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo, porque aquilo ali é uma marca registrada de propaganda de um partido político dos Estados Unidos." Políticos alinhados a Flávio Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e o próprio Jair Bolsonaro, já foram vistos utilizando o boné vermelho do MAGA.
Santos Cruz atribuiu esse comportamento a uma combinação de idolatria histórica pelos Estados Unidos, alimentada pela influência cultural americana, e ao fanatismo político. "O fanatismo apaga tudo. Apaga se você é corrupto, se você é pedófilo, se você é traidor. É o sentimento mais forte que existe na humanidade, mais forte que o amor familiar, que o vínculo de amizade", explicou. Para o general, a imagem em questão é histórica pelo que representa: "Isso não é busca de apoio. Busca de apoio é uma coisa. A busca de interferência é traição". Ele ainda alertou que a interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro já estaria em curso, citando como exemplo a ida de Eduardo Bolsonaro a Washington para negociar sanções contra o Brasil, uma ação que, segundo ele, seria "inimaginável" e possivelmente sem enquadramento legal.
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