Flávio Bolsonaro acusa Dino de interferência política em operação contra Frias
O senador e candidato do PL à Presidência classificou como interferência eleitoral a operação da Polícia Federal que investiga repasses relacionados ao filme “Dark Horse”. As defesas de Mario Frias e da Go Up Entertainment não se manifestaram.

Divulgação
O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, classificou nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026) como “interferência política” a operação da Polícia Federal contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Crítica durante a campanha
Em compromisso de campanha em Boa Vista, capital de Roraima, Flávio Bolsonaro defendeu a produção e afirmou que o filme não recebeu dinheiro público. “Não há absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público. Pode ser revirado de ponta cabeça”, declarou.
Para o senador, a investigação representa mais uma tentativa de interferência no processo eleitoral. Ele atribuiu a ação diretamente a Flávio Dino e afirmou que a medida ocorre em um momento sensível da campanha presidencial.
Buscas em quatro unidades da Federação
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Mario Frias, Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, também foi alvo da operação.
A produtora é responsável pelo filme “Dark Horse”, que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro. As investigações buscam esclarecer a origem, o repasse e a aplicação dos recursos relacionados à produção.
Repasses sob apuração
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões por meio de duas emendas parlamentares de Mario Frias. A Polícia Federal também investiga o envio de R$ 645,4 mil do deputado à Go Up Entertainment.
Flávio Dino afirmou que existem “fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”. A afirmação integra a decisão que autorizou a operação, mas as suspeitas ainda precisam ser apuradas pela investigação.
Defesas não se manifestaram
As defesas de Mario Frias e da Go Up Entertainment não responderam até a conclusão desta reportagem. A operação não representa condenação, e eventuais responsabilidades dependerão da análise das provas e do andamento do processo.
O caso ganhou repercussão política por envolver um parlamentar, um ministro do STF e uma produção sobre o principal nome do PL. A apuração agora terá de estabelecer se houve irregularidade no uso dos recursos públicos e qual foi a relação financeira entre os envolvidos.
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