Ex-ministros de Fhc e intelectuais endossam Lula em manifesto por democracia e estabilidade
Um grupo de 15 ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso e intelectuais renomados lançou, neste sábado, um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, que ressalta a importância da democracia e da estabilidade institucional, também tece críticas ao senador Flávio Bolsonaro, adversário na disputa presidencial, ao mesmo tempo em que preserva a independência de seus signatários para com o governo petista.

Divulgação
Um grupo expressivo de ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e intelectuais renomados lançou, neste sábado (17 de outubro de 2026), um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 15 signatários, o documento se posiciona pela defesa da democracia, da estabilidade institucional e do desenvolvimento com justiça social e ambiental, em um momento crucial da disputa eleitoral pela presidência da República.
Intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, a carta declara apoio explícito à chapa Lula-Alckmin, apresentando o segundo turno como uma escolha que transcende as habituais diferenças partidárias e preferências ideológicas. O texto argumenta que a reeleição do atual presidente oferece ao país as melhores condições para garantir o equilíbrio entre os Poderes, bem como preservar os direitos e as liberdades democráticas. "Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades", afirma um trecho do documento.
Os pesos e as vozes do manifesto
Entre os nomes que chancelam a iniciativa, destacam-se figuras de peso da política e da academia. Estão Aloysio Nunes Ferreira, chefe de Assuntos Estratégicos da ApexBrasil na União Europeia, e Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da mesma agência – ambos com vínculos à administração pública federal. Além deles, assinam a carta a educadora Beatriz Cardoso, filha de FHC, e Claudia Costin, que foi ministra da Administração e Reforma do Estado no governo tucano. A lista inclui ainda José Carlos Carvalho e José Carlos Dias, ex-ministros do Meio Ambiente e da Justiça, respectivamente, na gestão FHC, além de Rubens Ricupero, que foi ministro da Fazenda e do Meio Ambiente. A diversidade é notável, abrangendo o climatologista Carlos Nobre, a escritora Beatriz Bracher, o economista Eduardo Giannetti, o advogado Miguel Reale Jr., conhecido por ser um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira.
Críticas e o futuro democrático
O manifesto não se limita ao apoio a Lula, mas também direciona críticas contundentes ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na corrida presidencial. Os signatários expressam preocupação, afirmando que enxergam em seu projeto político ameaças aos princípios democráticos, riscos de retrocessos em conquistas sociais e trabalhistas, e prejuízos à atuação internacional e multilateral do Brasil. Contudo, o documento também deixa claro que, mesmo declarando apoio à reeleição de Lula, os signatários não abrem mão de sua independência e do direito de criticar o governo. O texto ressalta que o grupo é composto por pessoas com trajetórias e visões distintas sobre os desafios nacionais, garantindo que "muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las". A carta defende, ainda, que adversários políticos, instituições, universidades e imprensa não sejam tratados como inimigos, fortalecendo a pluralidade democrática.
Visão para o desenvolvimento e sustentabilidade
Além das questões políticas imediatas, o manifesto projeta uma visão de futuro para o Brasil. Ele defende a recuperação da capacidade industrial brasileira, a criação de empregos, o estímulo à inovação e o avanço da educação como pilares de um desenvolvimento sustentável. O texto associa diretamente o crescimento econômico à estabilidade, à ciência, à tecnologia e, de forma veemente, à responsabilidade ambiental, citando florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos como componentes essenciais da soberania nacional. Finalmente, o documento reafirma a importância do respeito à diversidade da sociedade brasileira e aos direitos fundamentais, elementos cruciais para a coesão social.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








