Empresário Amauri Pinha sob os holofotes após questionamentos de lobista sobre contratos federais
A lobista Roberta Luchsinger levantou questionamentos sobre contratos de R$ 2 bilhões entre o governo federal e a ECB, empresa cujo Conselho de Administração é presidido por Amauri Pinha, apontando uma suposta proximidade do executivo com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As declarações geraram debate sobre a transparência em negociações entre o setor privado e o poder público.

Divulgação
O empresário Amauri Rodrigues Pinha, atual presidente do Conselho de Administração da Empresa Construtora Brasil (ECB), parte do Grupo Mota-Engil, viu seu nome ganhar destaque recentemente após ser citado pela lobista Roberta Luchsinger. A empresária levantou questionamentos sobre a validade de contratos multimilionários firmados entre a ECB e o governo federal, sugerindo um elo informal que mereceria investigação. As declarações de Luchsinger trazem à tona um debate sobre transparência e as relações entre executivos de grandes empresas e esferas de poder.
A voz da lobista e o elo com o governo
Roberta Luchsinger citou Amauri Pinha durante uma entrevista concedida à imprensa, onde foi interpelada sobre a possível participação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em negociações de contratos entre uma construtora e o governo. A lobista afirmou ter informações de que Pinha, que assumiu a presidência do conselho da ECB em janeiro de 2025, seria vizinho de Lulinha. Luchsinger apontou que, desde que Pinha assumiu o cargo, a companhia acumulou contratos que totalizam R$ 2 bilhões com o governo federal, e questionou a lisura desses acordos. "Isso tem que ser questionado. O presidente da República tem que questionar", declarou, sem, contudo, apontar explicitamente qualquer ilegalidade, mas levantando a dúvida sobre a motivação por trás da concessão dos contratos.
Amauri Pinha: trajetória e ascensão na ECB
Amauri Rodrigues Pinha é um profissional com vasta experiência no setor de engenharia e administração. Formado em engenharia eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia Industrial e com mestrado em administração financeira pela FGV, sua carreira é marcada por passagens em grandes corporações. De 1988 a 2010, ele atuou na Construtora Camargo Corrêa como diretor. Posteriormente, entre 2012 e 2014, foi CEO da AG-Dangote, uma joint-venture da Andrade Gutierrez na África. Antes de assumir a liderança na ECB em janeiro de 2025, Pinha dedicou uma década, de 2015 a 2025, como diretor-geral de sua própria consultoria, a ARPinha. Sua chegada ao Grupo Mota-Engil ocorreu em um período de intensa expansão para a ECB.
A Empresa Construtora Brasil e seus grandes projetos
A Empresa Construtora Brasil (ECB) é uma veterana no cenário da infraestrutura nacional, fundada em 1945 e com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais. Sua atuação abrange uma gama diversificada de projetos, incluindo infraestrutura rodoviária, ferroviária, aeroportuária, minerária, mobilidade urbana, serviços industriais e o segmento de óleo e gás. Em 2012, a empresa iniciou sua ligação com o Grupo Mota-Engil, vendendo metade de suas ações, e em 2025, o grupo português adquiriu a totalidade da companhia. No mesmo ano de 2025, a ECB assinou um contrato de R$ 4,4 bilhões com a Petrobras para intervenções na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. Além disso, em 2026, a Mota-Engil, controladora da ECB, venceu o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção e operação do túnel Santos-Guarujá, um investimento governamental de R$ 2,6 bilhões, evidenciando o porte e a relevância das operações da empresa no país.
Diante das sérias alegações de Roberta Luchsinger, o Grupo Mota-Engil, que controla a ECB, foi procurado para comentar o assunto. No entanto, a empresa optou por não se manifestar até o momento sobre as declarações da lobista, deixando em aberto os questionamentos sobre os contratos e as relações apontadas. A situação coloca em pauta a necessidade de clareza nas relações entre o setor privado e o poder público, especialmente em contratos de grande vulto que envolvem recursos federais.
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