EUA avaliam reduzir importações de carne bovina autorizadas por Trump
Um grupo de autoridades da Casa Branca considera rever a permissão para a entrada de até 300 mil toneladas de carne bovina estrangeira sem tarifas. A medida havia sido adotada para conter os preços internos, mas enfrenta resistência de setores do governo e do Partido Republicano.

Divulgação
A Casa Branca avalia a possibilidade de reduzir o volume de carne bovina estrangeira autorizado a entrar nos Estados Unidos sem tarifas. A revisão mira uma decisão recente do presidente Donald Trump, que ampliou as importações do produto como parte de uma estratégia para aliviar a pressão dos preços sobre o consumidor americano.
A proposta ainda não representa uma mudança oficial de política. Ela é discutida por um grupo restrito de autoridades ligadas ao governo, em meio ao crescimento do desconforto entre republicanos antes das eleições de meio de mandato para o Legislativo. O setor agropecuário dos EUA havia recebido a ampliação das importações com preocupação, temendo maior concorrência e impacto sobre produtores locais.
Medida foi criada para conter preços internos
No final de agosto, Trump assinou uma ordem que permite a entrada de até 300 mil toneladas de carne bovina destinada à fabricação de carne moída. Os volumes autorizados podem ultrapassar as cotas tradicionais dos países fornecedores sem a cobrança de tarifas, mecanismo que tende a baratear o produto e acelerar sua chegada ao mercado.
O Brasil foi apontado pelo próprio presidente americano como um dos principais beneficiados pela flexibilização. A abertura comercial pode ampliar as oportunidades para frigoríficos brasileiros, especialmente em um cenário de demanda elevada dos Estados Unidos por carne destinada ao processamento industrial.
Disputa interna limita avanço da proposta
A possível redução das importações é analisada no Conselho de Política Interna do governo, conduzido por Vince Haley, redator de discursos de Trump. Pessoas com conhecimento direto das conversas indicam que a ideia ainda enfrenta divergências e que não há certeza sobre sua aprovação.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido como USTR, manifesta resistência à mudança. A área participou da implementação da medida e defende a manutenção do objetivo original: reduzir os altos preços da carne bovina no curto prazo. O impasse mostra que a Casa Branca precisa equilibrar o controle da inflação alimentar, a pressão política interna e os interesses dos produtores americanos.
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