Entenda a relação de Mário Frias, alvo da PF, com o filme “Dark Horse”
PF e CGU investigam o possível desvio de emendas parlamentares e o financiamento de “Dark Horse”. Mário Frias, alvo da operação, atuou como produtor-executivo e roteirista do filme sobre Jair Bolsonaro.

Divulgação
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up para investigar uma suposta organização formada por agentes públicos e particulares. As autoridades apuram o possível desvio de recursos de emendas parlamentares e o financiamento da produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre parte da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Ceará e no Distrito Federal. Entre os possíveis crimes investigados estão peculato e lavagem de dinheiro, além de fraudes contratuais e documentais. A PF busca elementos para reconstruir o caminho do dinheiro e identificar a responsabilidade de cada envolvido.
Atuação de Mário Frias na produção
Mário Frias (PL-SP) é um dos alvos da operação. Sua ligação com “Dark Horse” não é apenas política: o deputado participou diretamente da produção da obra e também assinou o roteiro. O filme acompanha episódios da trajetória de Bolsonaro e integra o retorno de Frias ao setor audiovisual após sua passagem pelo serviço público.
Natural do Rio de Janeiro, Frias iniciou a carreira como ator e ganhou projeção ao participar da sexta temporada de “Malhação”, em 1999. Durante o governo Bolsonaro, foi nomeado secretário especial da Cultura em junho de 2020 e permaneceu no cargo até 2022. Nesse período, aproximou-se politicamente do grupo bolsonarista e manteve atuação frequente em defesa do ex-presidente.
Eleito deputado federal por São Paulo em 2022, Frias retomou atividades no cinema. Em “Dark Horse”, acumulou funções criativas e executivas, tornando-se personagem central das apurações sobre a origem dos recursos usados na produção.
Recursos e explicações do deputado
A captação de recursos passou a ser investigada após a divulgação de áudios e mensagens atribuídos a Frias e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nas conversas, o deputado agradece o apoio financeiro ao projeto. As transferências relacionadas ao filme teriam somado cerca de R$ 61 milhões, conforme apurações das autoridades.
Frias inicialmente afirmou que a produção não havia recebido dinheiro de Vorcaro. Posteriormente, declarou que nem o ex-banqueiro nem o Banco Master eram investidores diretos da obra. Segundo o deputado, havia apenas uma relação jurídica com a Entre Investimentos. A PF e a CGU investigam se essa estrutura corresponde à movimentação real dos recursos.
Emendas e movimentações financeiras
As investigações também alcançam um repasse de R$ 2 milhões que teria sido indicado por Frias ao Instituto Conhecer Brasil. Há suspeitas de fraudes em contratos e de alteração de datas em documentos públicos. Esses elementos serão analisados para verificar se recursos parlamentares foram desviados de sua finalidade original.
Outro ponto apurado é uma possível engenharia financeira envolvendo o deputado, empresas fornecedoras, organizações e a produtora responsável por “Dark Horse”. De novembro a dezembro de 2025, o esquema teria movimentado R$ 19 milhões. Perícias contábeis e documentais deverão indicar se houve simulação de operações ou ocultação da origem e do destino do dinheiro.
Inquérito no STF
Além da Operação Make Up, Frias é alvo de um inquérito conduzido pelo ministro André Mendonça, no STF. O processo investiga a origem e a destinação de transferências financeiras realizadas por Daniel Vorcaro e possíveis conexões com atividades políticas e empresariais do parlamentar.
As investigações ainda precisam estabelecer a extensão da participação de cada alvo e a legalidade das operações analisadas. A existência de mandados de busca e apreensão não representa condenação, mas as autoridades buscam documentos, registros financeiros e evidências capazes de confirmar ou afastar as suspeitas.
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