Deputada eleita relata ameaças de morte e estupro; terá escolta armada
Ana Elisa, 21 anos, acionou a Polícia Civil após receber mensagens de ódio, racismo e violência sexual durante a campanha eleitoral. Dados pessoais foram expostos, levando à contratação de segurança.

Divulgação
A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa, de apenas 21 anos, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil relatando ter sido alvo de graves ameaças durante o período eleitoral. As intimidações, que incluem mensagens de cunho racista, machista e ameaças de violência sexual, culminaram na exposição de seus dados pessoais, como endereço e número de telefone. Diante da gravidade da situação, o partido da parlamentar providenciou segurança armada para sua proteção.
Ameaças e exposição de dados pessoais
As ofensas e ameaças recebidas por Ana Elisa não se limitaram a ataques verbais. Criminosos virtuais expuseram informações privadas da deputada, colocando em risco sua segurança e de seus familiares. Em uma das mensagens mais chocantes, um e-mail atribuído a um grupo de supremacia branca e de extrema-direita detalhava intenções violentas contra a jovem. A parlamentar, que se tornará a deputada federal mais jovem do Brasil, expressou que já contará com escolta ao retornar a Minas Gerais.
A deputada mais jovem e sua trajetória
Ana Elisa obteve 524.219 votos nas eleições de 2026, consolidando-se como a segunda deputada federal mais votada em Minas Gerais e a mulher mais votada da história do estado para a Câmara dos Deputados. Nascida em Divinópolis, estudante de direito e ex-estagiária do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, ela ganhou notoriedade nas redes sociais com seus vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação. Sua base de seguidores cresceu exponencialmente, ultrapassando a marca de 3 milhões no Instagram.
Crescimento da violência política de gênero
O caso de Ana Elisa reflete um cenário preocupante de violência política de gênero no Brasil. Organizações da sociedade civil já haviam apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento com diversos relatos de agressões contra mulheres candidatas nas últimas eleições. Os episódios englobam desde violência verbal e física até ameaças de morte e estupro. Dados do próprio TSE indicam um aumento expressivo, de onze vezes, na violência política de gênero entre 2022 e 2026, evidenciando a urgência de medidas mais eficazes para garantir a segurança e a participação feminina na política.
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