Cronologia da crise no STF antes do julgamento sobre Alexandre de Moraes
O plenário do STF decide nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, se abre investigação contra Alexandre de Moraes por contatos com Daniel Vorcaro. A sessão ocorre após uma sequência de decisões de Edson Fachin, André Mendonça e Flávio Dino sobre relatórios da Polícia Federal, quebra de sigilo e comando da corporação. A conduta de Mendonça será analisada separadamente em 23 de setembro.

Divulgação
O Supremo Tribunal Federal vive uma de suas maiores crises institucionais recentes. Nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o plenário da Corte decidirá se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O julgamento ocorre após semanas de decisões conflitantes, quebra de sigilo e disputas sobre a condução de inquéritos dentro da própria Corte.
Relatório da PF reacende o embate
A crise ganhou novo capítulo em 27 de agosto, quando a Polícia Federal entregou ao ministro André Mendonça um relatório de inteligência produzido a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento, com 218 páginas, reunia mensagens, registros de chamadas, arquivos e outros dados apreendidos no aparelho do banqueiro.
A própria PF informou que o material tinha caráter de inteligência e não constituía peça acusatória nem possuía valor probatório. Mesmo assim, as informações passaram a ser usadas no embate entre ministros. Moraes apresentou pedido de investigação contra Mendonça, enquanto a atuação da corporação também passou a ser questionada no STF.
Quebra de sigilo expõe mensagens
Em 1º de setembro, Mendonça determinou a retirada do sigilo da ação que reunia o relatório da PF e outros documentos ligados ao caso Vorcaro. Entre os dados divulgados estavam conversas do banqueiro com autoridades e pessoas próximas ao poder, incluindo um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A decisão permitiu o acesso público a mensagens trocadas entre Vorcaro e esse número, além de referências a outras autoridades e integrantes do Judiciário. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do procedimento, aumentando a disputa jurídica sobre a legalidade e os limites da divulgação.
Moraes pede investigação de Mendonça
Em 3 de setembro, a crise entre os ministros se intensificou. Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news por suposto abuso de autoridade. Em sua decisão, afirmou haver indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação do colega como relator das investigações relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes sustentou que Mendonça teria direcionado investigações contra ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e o próprio Moraes. Diante do embate, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os dois ministros, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações em cinco dias.
Fachin centraliza a condução do caso
No dia seguinte, Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido de investigação contra Mendonça e determinou que o tema fosse analisado no mesmo procedimento aberto para examinar o relatório da PF sobre os contatos entre Moraes e Vorcaro. Horas depois, afirmou que os acontecimentos reforçavam a necessidade de encerrar o inquérito das fake news, uma das prioridades declaradas de sua presidência.
Em 9 de setembro, Fachin adotou novas medidas para reorganizar o caso. Afastou Moraes do comando do inquérito das fake news, suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre Andrei Rodrigues e pautou a sessão extraordinária desta terça-feira. Também determinou a suspensão, na Presidência do STF, dos inquéritos relacionados aos casos Master e INSS, sem retirar a relatoria de Mendonça.
Disputa chega ao comando da Polícia Federal
A crise também atingiu o comando da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento temporário de Andrei Rodrigues, afirmando haver indícios de que a corporação produziu relatórios paralelos sobre sua atuação no caso Banco Master. Ele classificou a prática como “arapongagem institucional”.
Na 1ª Turma, Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção do afastamento. Gilmar Mendes pediu vista, interrompendo a análise. A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão, e Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei ao cargo em 9 de setembro. Horas depois, Fachin suspendeu as decisões conflitantes.
Julgamento desta terça-feira
No sábado, 12 de setembro, Fachin negou pedido de Moraes para que a conduta de Mendonça fosse julgada na mesma sessão desta terça-feira. O presidente do STF assumiu a investigação sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro e ficou responsável por conduzir o julgamento. A análise da atuação de Mendonça foi marcada para 23 de setembro, em outra sessão.
O plenário terá agora de decidir se existem elementos suficientes para abrir uma investigação formal contra Alexandre de Moraes. A deliberação será acompanhada com atenção porque envolve a relação entre ministros, a atuação da Polícia Federal, o sigilo de investigações e os limites dos inquéritos em curso no Supremo.
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