Cármen Lúcia se diz “envergonhada” com situação do STF
Durante julgamento relacionado a Alexandre de Moraes e ao Banco Master, a ministra defendeu a independência do Judiciário e alertou que pressões e polarização aprofundam a crise institucional. Flávio Dino sugeriu encaminhar a manifestação a Lula e ao Itamaraty.

Divulgação
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, estar “envergonhada” com a atual situação da Corte. A manifestação ocorreu durante um julgamento que tratou de questões relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e ao caso Banco Master, em um momento de forte atenção política ao Judiciário.
“Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo”, declarou Cármen ao presidente da Corte, Edson Fachin. Para a ministra, parte dos debates envolve aspectos processuais relevantes, mas também problemas graves que têm mantido o STF no centro da disputa pública.
Independência contra pressões internas e externas
Cármen Lúcia defendeu que os ministros exerçam a jurisdição com independência, sem se submeter a pressões externas ou internas. Segundo ela, decisões “imparciais, isentas e independentes” não podem ser influenciadas pelo clamor popular ou pela pressão das multidões. A ministra lembrou que o próprio STF já considerou abusivo e ilegal usar a comoção pública como instrumento de influência sobre decisões judiciais.
A ministra também reconheceu que a atuação da Corte pode contribuir para a tensão social. “O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, afirmou. Cármen acrescentou que o tribunal precisa garantir mais rigor e serenidade, responsabilidades que considera essenciais tanto para juízes quanto para cidadãos.
Polarização e possível ingerência estrangeira
Ao comentar a divisão em torno dos julgamentos do STF, Cármen criticou a formação de “lados ou torcidas”. Ela ressaltou que falava em nome próprio e que seus votos são orientados pela Constituição e pelo princípio da igualdade. “Todos são iguais na lei”, disse, em defesa de um tratamento jurídico sem distinções políticas ou pessoais.
A ministra também abordou notícias sobre possíveis novas sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo. Para Cármen, pressões vindas de outros países não podem interferir no exercício das funções dos integrantes da Corte. A manifestação reforça a preocupação com ameaças à soberania nacional e à autonomia do Judiciário brasileiro.
Após o pronunciamento, o ministro Flávio Dino elogiou a colega e sugeriu que a fala fosse encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Ministério das Relações Exteriores. Dino classificou como gravíssimas as possíveis ameaças ao STF e destacou que, embora tenha sido cogitado um contato entre Edson Fachin e o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, a representação internacional do Brasil compete constitucionalmente ao Poder Executivo.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








