Campanha de Lula usa música de Bad Bunny em propaganda eleitoral
A campanha de Lula adaptou “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, de Bad Bunny, para defender a soberania nacional e a exploração brasileira das terras-raras. A canção integra o álbum vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026.

Divulgação
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, uma propaganda eleitoral com uma versão de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do cantor porto-riquenho Bad Bunny. A faixa, 14ª do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, foi reconhecida com o Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026.
Adaptação liga música à defesa da soberania
O mote da peça é a defesa da soberania nacional, tema reforçado por Lula desde o início das tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano. Na versão apresentada pela campanha, a letra afirma: “Querem tomar o rio e também a praia. Querem as terras-raras, querem que a gente saia”.
A adaptação também acrescenta referências diretas ao contexto brasileiro: “Não, não, não largue a bandeira, não esqueça o que eu vivi. Não quero que façam contigo o que eles fazem por aí”. A mensagem transforma a narrativa original em um alerta sobre a proteção do território, dos recursos naturais e dos interesses estratégicos do país.
Canção original trata de deslocamento e anexação
“Lo Que Le Pasó a Hawaii” aborda a gentrificação e o deslocamento de comunidades em Porto Rico. A música também faz referência à anexação histórica do Havaí pelos Estados Unidos, estabelecendo um paralelo entre os dois territórios e as consequências políticas, sociais e econômicas desse processo.
A campanha de Lula, portanto, utilizou a base temática da composição para construir uma mensagem de resistência e preservação nacional. A escolha de Bad Bunny amplia o alcance simbólico da propaganda ao associar a pauta das terras-raras a um artista de projeção internacional e a debates sobre domínio territorial e autonomia dos povos.
Terras-raras no centro do discurso de Lula
Lula defende que a exploração das terras-raras beneficie diretamente o Brasil. Durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente afirmou que o acesso a esses minerais deve incluir contrapartidas para o país, como geração de valor em território nacional, transferência de tecnologia e suprimento de setores considerados estratégicos.
A propaganda reforça essa posição ao apresentar as terras-raras como recurso central para o desenvolvimento e a soberania brasileira. A campanha transforma a música de Bad Bunny em trilha para uma mensagem política que combina defesa ambiental, industrial e geopolítica em torno do controle nacional sobre recursos minerais.
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