Campanha de Lula descarta 'limpa' em cargos ligados a partidos do Centrão
Coordenador da campanha presidencial petista afirma que governo busca governabilidade e mantém relações com legendas, mesmo com apoio declarado a adversário no segundo turno.

Divulgação
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afastou neste sábado a possibilidade de o governo federal exonerar ocupantes de cargos indicados por partidos como União Brasil, PP e Republicanos. Essas legendas, juntamente com o Podemos, anunciaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o segundo turno das eleições presidenciais. Camilo Santana, coordenador da campanha petista, declarou que a estratégia governamental é manter relações com os partidos para assegurar a governabilidade, em vez de promover cortes em indicações políticas.
Diálogo e governabilidade em foco
Ao ser questionado sobre a eventual demissão de indicados dessas siglas, Santana enfatizou que o governo não costuma adotar essa prática. "O importante agora é a eleição, é conquistar voto", afirmou o coordenador a jornalistas no quartel-general da campanha em Brasília. Ele destacou que a prioridade é o processo eleitoral e a busca por votos, minimizando a relevância de uma retaliação em cargos ocupados por membros de partidos que declararam apoio ao adversário.
Estratégia de aproximação com dissidentes
A campanha de Lula tem direcionado seus esforços para dialogar com lideranças e congressistas de partidos do chamado Centrão que demonstram apoio ao petista ou pretendem manter neutralidade no segundo turno. Essa estratégia surge após as cúpulas do PP, União Brasil e Republicanos terem manifestado apoio a Flávio Bolsonaro. Santana citou como exemplos de alinhamento o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), para ilustrar que, apesar das declarações partidárias oficiais, muitos integrantes dessas legendas apoiam a candidatura de Lula.
Posição diverge de ministros
A declaração de Camilo Santana contrasta com a posição defendida por outros membros do governo, como o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Em entrevista recente, Guimarães indicou que estava realizando um levantamento dos cargos ocupados por indicados desses partidos e que defenderia a exoneração dos mesmos, sob o argumento de que "quem está com Lula tem que estar com Lula". A Secretaria de Relações Institucionais, pasta comandada por Guimarães, é responsável por centralizar as indicações de partidos e parlamentares para cargos federais, e já realizou movimentos semelhantes no passado, como a demissão de indicados em 2025 após votações no Congresso.
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