Próximo presidente poderá indicar até 4 ministros para o STF, reconfigurando a Corte
A composição do Supremo Tribunal Federal se tornará um tema central para o próximo chefe do Executivo, com até quatro vagas a serem preenchidas até 2030, incluindo a deixada por Luís Roberto Barroso e três aposentadorias compulsórias.

Divulgação
A indicação de novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) emergiu como um ponto de debate significativo durante o período eleitoral, refletindo o crescente protagonismo da Corte em decisões de impacto político e a recente onda de controvérsias internas. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) abordaram o tema em suas campanhas, sinalizando a importância estratégica da composição do tribunal para os próximos anos.
Reconfiguração da Corte em jogo
Com a possibilidade de o próximo presidente da República indicar até quatro dos onze ministros do STF, há um potencial real para uma reconfiguração substancial do perfil da Corte. Essa dinâmica pode moldar o cenário jurídico e político do país por um longo período, dependendo das idades e das visões de mundo dos indicados. As regras atuais, que permitem ao presidente da República indicar nomes de sua livre escolha, desde que aprovados pelo Senado, conferem um poder considerável ao Executivo nesse processo.
Vagas e cronograma de aposentadorias
A recomposição do STF terá seu início com o preenchimento da vaga deixada por Luís Roberto Barroso, cuja aposentadoria antecipada ocorreu em outubro de 2025. Além desta, três ministros atingirão a idade limite de 75 anos até o final de 2030, com aposentadorias compulsórias programadas. Luiz Fux, nomeado em 2011, deve deixar o cargo em abril de 2028. Em abril de 2029, será a vez de Cármen Lúcia, indicada por Lula em 2006, cuja saída pode gerar discussões sobre representatividade de gênero. Por fim, Gilmar Mendes, nomeado em 2002, completa 75 anos em 30 de dezembro de 2030, podendo deixar a vaga para o presidente eleito de 2030, com poucos dias de mandato para realizar a indicação.
Requisitos e processo de sabatina
Para ocupar uma cadeira no STF, o indicado deve ser brasileiro nato, ter reputação ilibada, notável saber jurídico e idade entre 35 e 70 anos. Após a indicação presidencial, o nome passa por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde senadores avaliam a trajetória e as posições do candidato. Se aprovado na CCJ, o nome segue para o plenário do Senado, necessitando de maioria absoluta (41 votos) para confirmação. Uma vez aprovado, o novo ministro é nomeado pelo presidente e toma posse no STF, integrando a mais alta instância do Judiciário brasileiro.
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