Bia Kicis e Pollon destinaram emendas à entidade ligada ao caso Frias
Bia Kicis e Marcos Pollon destinaram R$ 1,15 milhão à ANC, entidade presidida por Karina Gama, alvo da operação que investiga contratos e emendas relacionados ao filme “Dark Horse”. A PF afirma que não houve execução financeira, mas registros oficiais indicam empenho e pagamento dos valores ao Estado de São Paulo.

Divulgação
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) destinaram emendas parlamentares à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Gama, alvo da Operação Make Up. A força-tarefa investiga suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos e em contratos relacionados ao filme “Dark Horse”.
As emendas foram direcionadas ao projeto “Heróis Nacionais”, por meio do Governo de São Paulo. Kicis destinou R$ 150 mil, enquanto Pollon apresentou uma emenda de R$ 1 milhão. No total, os dois parlamentares vincularam R$ 1,15 milhão à entidade investigada.
Operação investiga uso de emendas parlamentares
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram, nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026), a Operação Make Up. Entre os alvos estão Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, e Karina Gama. As investigações apuram indícios de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, crimes contra as licitações e atuação de organização criminosa.
De acordo com a investigação, as emendas de Kicis e Pollon não chegaram a ser executadas financeiramente e nenhum valor teria sido transferido diretamente à ANC. Entretanto, registros do Portal da Transparência apontam que os recursos foram empenhados e pagos ao Estado de São Paulo. A divergência entre os documentos exigirá apuração sobre o fluxo do dinheiro e a efetiva prestação de contas.
Valores foram pagos ao Estado de São Paulo
A emenda de Pollon, identificada pelo número 202444200010, foi empenhada em 26 de junho de 2024 em duas parcelas, de R$ 700 mil e R$ 300 mil. Os pagamentos foram registrados em 13 de dezembro do mesmo ano, tendo como destinatário o Estado de São Paulo.
Já a emenda de Bia Kicis, de número 202439190003, também foi empenhada em 26 de junho de 2024. O Portal da Transparência registra dois pagamentos ao governo paulista: R$ 85.589,23 em 3 de julho e R$ 64.410,77 em 12 de dezembro. As parcelas somam exatamente R$ 150 mil.
Os registros oficiais, portanto, indicam que as duas emendas foram executadas e integralmente pagas ao Estado de São Paulo. Isso não comprova, por si só, que o dinheiro tenha sido transferido à ANC. A investigação precisará esclarecer como os recursos foram aplicados e se houve relação entre o projeto “Heróis Nacionais” e a produção de “Dark Horse”.
Destinação fora da base federativa
A documentação também destaca que Kicis foi eleita pelo Distrito Federal e Pollon pelo Mato Grosso do Sul, mas as emendas foram destinadas a um projeto executado em São Paulo. Para os investigadores, essa situação revela uma aparente desconformidade com a exigência de vinculação federativa, regra que restringe a aplicação das emendas às unidades da Federação ligadas aos parlamentares.
ANC e ICB fazem parte da mesma estrutura
Karina Gama preside a ANC e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Segundo a investigação, as duas organizações compartilham integrantes, procuradores e administradores, além de compor a mesma estrutura de gestão e execução de projetos financiados com dinheiro público.
O ICB recebeu R$ 2 milhões em emendas de Mário Frias, identificadas pelos números 202444230008 e 202444230014. A CGU afirma que a totalidade dos recursos recebidos pelo instituto teve origem nessas duas destinações parlamentares.
A Operação Make Up foi aberta para examinar a execução das quatro emendas e a atuação da ANC, do ICB, de Karina Gama e das empresas envolvidas nos projetos. Entre elas estão a GO UP Entertainment, produtora de “Dark Horse”, e a GO7 Assessoria, ambas relacionadas à empresária investigada.
Investigações sobre o filme “Dark Horse”
As apurações sobre o filme são um desdobramento da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Em maio, vieram a público conversas atribuídas a Vorcaro nas quais o financiamento da produção cinematográfica foi mencionado.
Em um dos áudios, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, aparece pedindo dinheiro ao empresário para bancar “Dark Horse”. As mensagens motivaram pedidos de investigação encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.
Pollon afirma que determinou o cancelamento
Em nota, Marcos Pollon afirmou que sua emenda foi destinada à série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, com capítulos sobre Portugal, José de Anchieta e Dom Pedro I. Segundo o deputado, o projeto tinha finalidade cultural e educativa e foi apresentado dentro das exigências legais.
Pollon disse que, ao tomar conhecimento de que a entidade responsável não teria cumprido requisitos técnicos para continuar o projeto, determinou o cancelamento do empenho e pediu o redirecionamento dos recursos ao Hospital de Amor de Barretos. Ele negou a execução do projeto, o desvio para outra finalidade e qualquer ligação da emenda com “Dark Horse”. Segundo o parlamentar, Flávio Dino também foi informado sobre o cancelamento e o pedido de nova destinação.
Agora, a PF e a CGU terão de confrontar os registros de pagamento, os documentos de empenho, os contratos e as justificativas apresentadas pelos envolvidos. As investigações deverão esclarecer se houve falha administrativa, irregularidade na execução ou uso indevido de recursos públicos.
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