Artistas brasileiros da Academia do Oscar expressam preocupação com cenário político nacional
Carta aberta assinada por nomes como Alice Braga, Fernando Meirelles e Wagner Moura alerta para riscos à democracia e pede atenção internacional ao segundo turno das eleições presidenciais.

Divulgação
Um grupo de brasileiros com assento na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, a mesma que concede o Oscar, divulgou neste sábado uma carta aberta manifestando profunda preocupação com o atual momento político do Brasil. O documento, que reúne ao menos 66 assinaturas de profissionais do cinema, pede que a mídia internacional e a indústria audiovisual global voltem seus olhares para o segundo turno das eleições presidenciais no país.
Preocupações com propostas e histórico político
Entre os signatários, destacam-se nomes como Alice Braga, Fernando Meirelles, Kleber Mendonça Filho, Petra Costa e Wagner Moura. A carta faz menção direta a propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro, como a de elaborar uma nova Constituição sob o domínio de uma maioria de extrema direita. Essa perspectiva é vista com apreensão, especialmente em função da tentativa de golpe de Estado associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que resultou em sua prisão. Os artistas ressaltam que o filho do ex-presidente promete anistiá-lo como um dos primeiros atos de um eventual governo.
Críticas à normalização de fatos e interferência estrangeira
Os profissionais do cinema também criticam o que consideram uma normalização de fatos graves por parte de considerável parcela da mídia brasileira, que, segundo eles, não tem abordado com a seriedade necessária as acusações contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai. A carta cita a denúncia contra Jair Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional por sua atuação durante a pandemia de COVID-19, que resultou em centenas de milhares de mortes, e o retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU. Adicionalmente, expressam preocupação com a possibilidade de cortes no orçamento da seguridade social e políticas de austeridade que poderiam impactar o setor cultural, inspiradas em modelos como o da Argentina.
Alerta sobre desinformação e defesa democrática
O documento também aborda o cenário de divisão no país e levanta a questão de alegações de possível interferência estrangeira, citando reportagens sobre financiamento de programas voltados para o sistema judiciário brasileiro e possíveis distorções no alcance de conteúdos políticos em plataformas digitais. Os artistas enfatizam que, como profissionais da cultura, compreendem o alto custo das políticas de austeridade e a importância da defesa das regras democráticas, clamando por apuração transparente e repercussão internacional dos fatos.
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