Ala pró-Mendonça critica velocidade do Pgr após nulidade de relatório
Supremo Tribunal Federal vivencia tensões internas após Paulo Gonet pedir anulação da decisão de André Mendonça sobre sigilo de conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, com setores favoráveis ao ex-ministro classificando a atitude como 'rapidez atípica' e alimentando divisões políticas no Judiciário.

A ala do Supremo Tribunal Federal (STF) alinhada a André Mendonça intensificou suas críticas à atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após este ter solicitado, em tempo recorde, a nulidade da decisão que tornou público o relatório com as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O documento, que expôs detalhes de investigações da Polícia Federal, teve seu sigilo derrubado na terça-feira (1º), e já no dia seguinte, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou formalmente contra o ato, alegando irregularidades procedimentais.
Integrantes do STF favoráveis a Mendonça classificaram a rapidez da decisão de Gonet como 'atípica', argumentando que o parecer da PGR não se debruçou sobre o conteúdo das 218 páginas do relatório, mas sim restringiu-se a questões técnicas e formais. Um dos críticos chegou a comparar o posicionamento à análise de uma Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem adentrar no mérito da decisão.
A reação também ecoou dentro da Polícia Federal, onde setores avaliam que a postura do PGR pode ter sido influenciada por pressões políticas ou por um alinhamento estratégico com determinados grupos dentro do Judiciário. A divisão, no entanto, transcende o aspecto jurídico, refletindo uma polarização política que remonta à eleição presidencial de 2022, com Mendonça sendo associado a Flávio Bolsonaro e Moraes a Lula.
A tensão aumentou após a decisão de Mendonça, que buscou, desde o início de sua gestão, distanciar o STF de comparações com a Operação Lava Jato, adotando protocolos mais burocráticos para evitar críticas. Agora, entretanto, o episódio reacende questionamentos sobre a independência das cortes superiores e a interferência de interesses políticos em decisões judiciais.



