PF adia novo depoimento de Vorcaro sobre “a Turma”
A Polícia Federal adiou o depoimento de Daniel Vorcaro, marcado para 24 de setembro de 2026, após pedido da defesa. Investigadores querem esclarecer a atuação dos grupos “A Turma” e “Os Meninos” no esquema investigado pela operação Compliance Zero.

Divulgação
A Polícia Federal adiou o depoimento do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que estava marcado para quinta-feira, 24 de setembro de 2026. A oitiva faz parte das investigações sobre o grupo chamado “A Turma” e suas possíveis conexões com a estrutura apontada pela PF nas apurações relacionadas à instituição financeira. A nova data ainda não foi definida.
Pedido da defesa
A defesa de Vorcaro solicitou o adiamento com o argumento de que não teve acesso integral aos elementos da investigação. Para os advogados, a consulta completa ao material é necessária para preparar o interrogatório e exercer o contraditório. Com a remarcação, os investigadores ganham tempo para organizar as perguntas e eventuais documentos que serão apresentados durante o depoimento.
“A Turma” e “Os Meninos”
As investigações identificaram dois núcleos de intimidação com funções distintas, mas atuação coordenada. Segundo a PF, “A Turma” era voltada a ameaças presenciais, monitoramento de alvos e obtenção ilegal de informações sigilosas. Já “Os Meninos” funcionava como braço digital, responsável por ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal.
O depoimento de Vorcaro é esperado para ajudar a esclarecer a divisão de tarefas entre os grupos, a cadeia de comando e a origem das informações usadas nas ações de intimidação. Os investigadores também buscam entender como as atividades presenciais e digitais se conectavam e quais interesses eram atendidos por essa estrutura.
Investigação tramita no STF
As apurações sobre fraudes no Banco Master integram a operação Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase resultou na prisão provisória de executivos ligados à instituição, liquidada pelo Banco Central. Ainda naquele mês, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados à prisão domiciliar.
O caso passou ao Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2025. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase em janeiro de 2026 e deixou a relatoria em 12 de fevereiro, quando André Mendonça assumiu o comando do processo. Vorcaro voltou a ser preso no início de março e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Proposta de delação premiada
Vorcaro apresentou uma proposta de delação premiada, cuja análise pelo ministro relator no STF deve levar semanas. A eventual colaboração poderá oferecer novos detalhes sobre a organização investigada, mas as informações terão de ser confirmadas por documentos, dados digitais, registros financeiros e outros elementos reunidos pela PF. Até lá, o adiamento do depoimento mantém a oitiva como um dos próximos passos relevantes para o avanço do caso.
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