Diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de operação
Gaeco e Receita Federal cumprem mandados de busca e apreensão em sete Estados na terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga suspeita de lavagem de dinheiro na aquisição da distribuidora Terrana.

Divulgação
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis.
Buscas são realizadas em sete Estados
Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e estão sendo cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A medida busca reunir documentos, registros financeiros e outros elementos considerados relevantes para o andamento das investigações.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. Freixo firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
Investigação aponta uso de contas de passagem
O Gaeco identifica Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, como supostos líderes da organização investigada. Eles não estão entre os alvos desta fase da operação. As informações colhidas até agora serão analisadas pelas autoridades para verificar a participação de cada pessoa e empresa no esquema suspeito.
De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam transitado por empresas e contas utilizadas como “contas de passagem” antes de chegar à estrutura responsável pela compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido movimentado para ocultar a origem dos recursos e os reais controladores dos ativos.
Fundos e empresas são analisados
A investigação considera que a aquisição da distribuidora foi estruturada por meio de fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras. Entre as estruturas analisadas estão Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além de Berna Holdings e Branson Holdings. A apuração busca reconstruir o caminho do dinheiro e identificar eventuais beneficiários ocultos da transação.
As suspeitas são baseadas em relatórios do Coaf, documentos bancários, dados fornecidos pelo Banco Genial, movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores. Segundo as autoridades, as conversas indicariam o uso de pessoas interpostas, popularmente chamadas de “laranjas”, para dificultar a identificação dos controladores da distribuidora e dos bens envolvidos.
A Operação Carbono Oculto ainda deve analisar o material recolhido nesta etapa. Como se trata de uma investigação em andamento, as suspeitas não significam condenação, os alvos têm direito ao contraditório e à ampla defesa, e eventuais responsabilidades caberá à Justiça decidir com base nas provas apresentadas pelo Ministério Público.
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