Zanin e Gilmar recebem dados do celular de Vorcaro e analisam conversas
A Polícia Federal entregou aos gabinetes de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. A medida ocorre antes da sessão que decidirá sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.

Divulgação
A Polícia Federal entregou aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes os dados brutos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Zanin e Gilmar já analisam o material, que poderá ser usado para orientar seus votos antes da sessão marcada para terça-feira, 15, às 10h, quando o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá pela abertura ou pelo arquivamento de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Acesso também está disponível aos demais ministros
Outros integrantes da Corte poderão solicitar o mesmo acesso à Polícia Federal. Gilmar Mendes já havia pedido providências ao presidente do STF, Edson Fachin, para assegurar que os ministros recebessem as informações telemáticas. No domingo, 13, ele renovou a solicitação diretamente à direção-geral da corporação.
A disputa pelo acesso ao conteúdo ganhou relevância porque o ministro André Mendonça, relator do caso, se manifestou contra o compartilhamento amplo do material. Mendonça argumentou que a medida poderia interferir no andamento das investigações. Segundo ele, uma cópia dos dados já havia sido entregue ao seu gabinete em março, de forma voluntária, e permanece lacrada como reserva técnica.
Zanin defende igualdade de acesso entre os ministros
Ao requisitar o aparelho, Zanin sustentou que não há hierarquia entre os ministros do STF e que todos devem poder examinar informações relevantes para o julgamento. Para ele, eventuais restrições não podem ser impostas aos julgadores, desde que observados os deveres de sigilo, imparcialidade e independência funcional.
O celular apreendido com Vorcaro em 17 de novembro serviu de base para etapas da Operação Compliance Zero. As mensagens atribuídas ao banqueiro e a Alexandre de Moraes são o centro da controvérsia que será analisada pelo plenário. O ministro também pediu acesso integral ao aparelho e questionou a possibilidade de o relator selecionar quais documentos devem ser apresentados ao colegiado.
Conteúdo envolve pedidos de intervenção e pagamentos
As conversas reveladas na última semana indicam possíveis pedidos de Vorcaro para que Alexandre de Moraes atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em razão das investigações sobre negócios fraudulentos do Master. O material também trata da participação de Moraes na elaboração de um contrato de R$ 131 milhões envolvendo Viviane Moraes, pagamentos ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos do ministro.
A decisão desta terça terá impacto institucional direto. Se o plenário autorizar a abertura da investigação, o STF dará continuidade à apuração das mensagens e das relações descritas no material. Caso arquive o procedimento, a Corte encerrará essa etapa sem a formação de um novo processo investigativo no âmbito do tribunal.
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