Trabalhadores dos Correios entram em greve nacional por tempo indeterminado
A paralisação começa em todo o país após o fim das negociações da campanha salarial sem acordo. Principal ponto de divergência envolve mudanças no plano de saúde, enquanto os Correios informam ter apresentado proposta com 78 das 80 cláusulas reivindicadas.

Divulgação
Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11/9), em todo o Brasil. A paralisação foi decidida após o encerramento das negociações da campanha salarial sem um acordo entre a estatal e a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
Plano de saúde é o principal impasse
O maior ponto de divergência envolve propostas da direção dos Correios para alterar regras do plano de saúde dos empregados. A questão não avançou nas rodadas de negociação e também não foi solucionada nas tentativas de mediação conduzidas no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A disputa ganhou peso na decisão da categoria, pois benefícios e condições de trabalho estavam entre os temas centrais da campanha salarial.
Correios citam acordo em 78 cláusulas
Os Correios informaram que apresentaram uma proposta capaz de contemplar 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. A estatal destacou que a oferta previa reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com efeitos retroativos a 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa afirmou ainda que permaneceu empenhada em construir uma solução negociada, mas não houve entendimento com a representação dos trabalhadores.
Medidas para reduzir impactos nas entregas
Para limitar os reflexos da paralisação no atendimento ao público e na entrega de encomendas e correspondências, os Correios ativaram um Plano de Continuidade de Negócios. A estratégia prevê o remanejamento de pessoal e o reforço das atividades operacionais consideradas prioritárias. Ainda assim, a duração indeterminada da greve pode pressionar prazos de entrega e a rotina das unidades afetadas em diferentes estados.
Greve ocorre em meio a forte prejuízo
A paralisação acontece em um cenário financeiro delicado para a estatal. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% sobre os R$ 4,26 bilhões negativos registrados no mesmo período de 2025.
No segundo trimestre de 2026, o prejuízo foi de R$ 2,39 bilhões. Embora o resultado continue negativo, houve redução de 5,5% na comparação com os R$ 2,53 bilhões do segundo trimestre de 2025 e queda de 24,4% ante o prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado no primeiro trimestre de 2026. O desafio agora é conciliar a pressão por melhores condições de trabalho com a necessidade de equilibrar as contas da empresa.
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