PF atribui a Moraes duas edições em contrato de R$ 131 milhões do Banco Master
Perícia da Polícia Federal identifica duas alterações feitas por um perfil associado ao ministro Alexandre de Moraes em contrato entre o Banco Master e escritório ligado à família dele. STF analisará se abre investigação ou arquiva o caso.

Divulgação
Perícia registra duas alterações no contrato
Uma perícia da Polícia Federal atribuiu a um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” duas edições em uma minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal. O acordo previa pagamento mensal bruto de R$ 3.646.529,77 a título de pró-labore e estabelecia sigilo integral sobre o documento.
Os investigadores destacaram que as alterações ocorreram em momentos distintos. A primeira teria sido feita em 11 de janeiro de 2024, às 16h30, antes de a minuta ser enviada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os metadados indicam que o arquivo foi manipulado em ambiente Office 365 e registram como autor um usuário identificado como Guilherme Benazzi, administrador do escritório.
A segunda edição foi registrada em 15 de janeiro, às 23h04, pouco mais de uma hora e 40 minutos após Vorcaro devolver o documento a Viviane Barci de Moraes com ajustes e marcas de revisão. Segundo a perícia, essa alteração também foi atribuída ao perfil associado ao ministro.
STF decidirá sobre abertura de investigação
As edições no contrato e 51 mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes deverão orientar a sessão do STF marcada para terça-feira, dia 15. O plenário terá de decidir se abre uma investigação formal ou se determina o arquivamento das informações reunidas sobre a relação entre o ministro e o banqueiro.
O escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes acessou e editou o contrato. A banca informou que seu setor de compliance consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais para a contratação pelo Banco Master. Moraes não se manifestou publicamente sobre o conteúdo do relatório da Polícia Federal desde 1º de setembro.
Investigação analisa outros pontos da relação
Além das alterações contratuais, os investigadores analisam pedidos atribuídos ao banqueiro para que Moraes interviesse junto a autoridades envolvidas em investigações sobre negócios do Banco Master. Também são examinadas conversas sobre uma possível saída de Vorcaro do país antes da prisão, cobranças de pagamentos ao escritório e a autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos do ministro.
Os elementos reunidos pela Polícia Federal ainda serão avaliados pelo plenário do STF. Até que haja deliberação da Corte, as informações integram a análise sobre a necessidade de apuração adicional e não representam, por si só, uma decisão final sobre eventual responsabilização.
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