Marconi propõe medidas emergenciais contra avanço dos feminicídios em Goiás
Candidato ao governo apresenta plano para ampliar a Patrulha Maria da Penha, reconduzir policiais da reserva e integrar ações com o Judiciário e o Ministério Público. Proposta surge após alta de 63% nos feminicídios registrados nos sete primeiros meses de 2026.

Divulgação
O candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou um conjunto de medidas emergenciais para enfrentar o aumento dos feminicídios e da violência doméstica no estado. O plano prevê a ampliação do efetivo das Patrulhas Maria da Penha, a recondução remunerada de policiais da reserva, a expansão das delegacias especializadas e a criação de uma força-tarefa com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e o Ministério Público de Goiás (MPGO). A proposta também inclui a renovação da frota e o treinamento permanente das equipes responsáveis por fiscalizar medidas protetivas.
Alta de 63% reforça urgência do tema
Goiás registrou 49 vítimas de feminicídio nos sete primeiros meses de 2026, alta de 63% em comparação com o mesmo período de 2025. Os números foram usados por Marconi para defender uma resposta imediata do poder público. O candidato citou ainda o caso de Maria Regina Costa, morta em Nerópolis em 5 de setembro, como exemplo da gravidade da situação e da necessidade de ações capazes de chegar rapidamente às mulheres em risco.
Reforço policial até a realização de concurso
Uma das propostas centrais é permitir o retorno de policiais experientes que estão na reserva, mediante gratificação salarial. Segundo Marconi, a medida serviria para fortalecer os batalhões da Polícia Militar e, principalmente, as Patrulhas Maria da Penha até a conclusão de um novo concurso público. O candidato afirmou que pretende realizar o certame nas primeiras semanas de um eventual governo, mas a execução da ideia dependerá de autorização legal, disponibilidade orçamentária e planejamento administrativo.
Deams integradas à Justiça e à polícia
O plano também prevê ampliar as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams) e criar canais de comunicação mais ágeis entre essas unidades, as varas de violência doméstica e a Polícia Militar. Marconi defendeu o uso de tecnologia e inteligência artificial para organizar informações, acompanhar ameaças e agilizar respostas. Especialistas em segurança costumam ressalvar, porém, que ferramentas tecnológicas só produzem resultados quando há integração de sistemas, equipes dimensionadas e monitoramento humano constante.
Proteção precisa continuar após a concessão do medida
A articulação com o TJGO e o MPGO é apresentada como parte essencial do projeto. Marconi destacou que 72% dos pedidos de medidas protetivas já são analisados no mesmo dia, mas avaliou que o principal problema está no cumprimento das decisões depois de concedidas. O anúncio menciona casos de descumprimento e feminicídios ocorridos mesmo com protetivos ativos, situação que exige fiscalização mais eficiente e resposta rápida quando há sinais de escalada da violência.
Proposta ainda depende de um novo governo
Como se trata de um programa apresentado durante a campanha, nenhuma das medidas já está em execução pelo plano anunciado. A implementação dependerá de vitória eleitoral, definição de prioridades orçamentárias, aprovação deeventuais mudanças administrativas e cooperação entre as instituições envolvidas. O desafio será transformar o discurso de integração em um sistema capaz de identificar riscos, localizar vítimas, cumprir determinações judiciais e responsabilizar agressores com a rapidez exigida por casos de violência doméstica.
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