Filas, regionalização e o futuro das OSs: propostas dos candidatos ao governo de Goiás para a saúde
Saúde é tema central da eleição em Goiás. Os candidatos convergem na defesa da regionalização, mas divergem sobre o uso de Organizações Sociais e parcerias com a iniciativa privada.

Divulgação
A saúde é a principal bandeira dos seis candidatos ao governo de Goiás na disputa de outubro. Daniel Vilela (MDB), Danilo Pinheiro (PCO), Luciana Amorim (UP), Luís César Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) prometem reduzir as filas por consultas, exames e cirurgias, mas adotam caminhos diferentes para chegar ao mesmo objetivo.
Regionalização reúne consenso, mas gestão divide
A regionalização é o ponto de maior convergência. Praticamente todos os projetos defendem fortalecer hospitais e serviços especializados no interior para evitar que pacientes precisem viajar até Goiânia em busca de tratamentos que poderiam ser realizados em suas regiões.
A principal divergência está no futuro das Organizações Sociais, entidades privadas que administram unidades públicas por meio de contratos com o Estado. Enquanto parte dos candidatos propõe manter ou ampliar o modelo, outros defendem sua redução ou extinção. Há ainda quem queira contratar hospitais privados apenas para enfrentar a demanda represada.
Daniel Vilela aposta na continuidade e na tecnologia
Daniel Vilela, candidato à reeleição pelo MDB, propõe continuar e ampliar a infraestrutura existente. O centro de seu plano é a construção do novo Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), com 500 leitos, 20 salas cirúrgicas e estrutura para cirurgias robóticas. O investimento estimado é de R$ 500 milhões.
O atual Hugo seria transformado em centro especializado em saúde da mulher e maternidade de alto risco. O plano também prevê o fortalecimento de hospitais e policlínicas no interior, a expansão da Rede Estadual de Combate ao Câncer e o uso de telessaúde. Entre as propostas está a plataforma “Goiás na Palma da Mão”, voltada ao agendamento e à triagem pelo WhatsApp.
Danilo Pinheiro defende gestão pública e sem terceirização
Danilo Pinheiro, do PCO, rejeita privatizações, terceirizações e qualquer forma de cobrança na rede de saúde. Seu plano defende atendimento integralmente público e gratuito, retorno do programa Mais Médicos e validação imediata de diplomas de profissionais formados no Brasil e no exterior.
A candidatura também propõe abrir centenas de vagas em cursos de medicina sem vestibular e estabelecer piso salarial de R$ 8 mil para profissionais da saúde. A administração dos hospitais seria realizada por comitês formados por trabalhadores e usuários, em substituição às diretorias indicadas politicamente.
Luciana Amorim propõe estatização integral
Luciana Amorim, da UP, defende o fim imediato das parcerias com Organizações Sociais e a transferência da gestão hospitalar para servidores públicos. Seu plano prioriza mulheres, moradores de periferias, população negra, povos indígenas e pessoas com deficiência.
Entre as medidas estão a criação de Centros Regionais de Especialização Médica, a interiorização das Unidades de Pronto Atendimento e a formação de uma rede estadual de centros de saúde da família. A candidata promete concursos unificados, carreira única no SUS e distribuição de absorventes em unidades básicas, escolas e presídios.
Luís César Bueno prevê transição gradual
Luís César Bueno, do PT, propõe encerrar gradualmente os contratos com Organizações Sociais. A devolução da gestão ao Estado começaria pelos prontos-socorros e serviços de urgência de Goiânia, com concursos públicos para substituir trabalhadores terceirizados e medidas contra a pejotização.
O plano inclui a universalização da saúde da família, retomada de obras paralisadas, ampliação da atenção psicossocial e criação de um sistema transparente para acompanhamento das filas de regulação. O financiamento da saúde seria articulado com as oito zonas econômicas regionais previstas pela candidatura.
Marconi Perillo promete zerar filas com rede privada
Marconi Perillo, do PSDB, concentra sua proposta na eliminação das filas de consultas, exames e cirurgias. Para enfrentar a demanda acumulada nos primeiros meses, pretende firmar contratos emergenciais com hospitais privados e revisar a administração do Ipasgo, plano de saúde dos servidores estaduais.
O projeto prevê a construção de um hospital de urgências em Novo Gama, destinado a atender cerca de 600 mil pessoas no Entorno Sul. Também promete garantir a operação do hospital de Águas Lindas, ampliar leitos e especialidades no Heapa, em Aparecida de Goiânia, e expandir teleconsultas e telelaudos.
Propostas de Wilder Morais não são detalhadas
O conjunto de propostas apresentado para a candidatura de Wilder Morais, do PL, não traz medidas específicas para a área da saúde. Enquanto os demais planos indicam modelos de gestão, investimentos e ações para reduzir filas, a agenda do candidato permanece sem detalhes sobre o tema.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








