Educação, ciência e tecnologia: um olhar sobre o passado, presente e futuro do Brasil
A trajetória da educação superior, ciência e tecnologia no Brasil é marcada por avanços e retrocessos. Uma análise aprofundada revela a importância do investimento estatal e da autonomia universitária para o desenvolvimento do país, contrastando períodos de restrição orçamentária com iniciativas de recuperação e expansão.

Divulgação
A educação superior, a ciência e a tecnologia são pilares fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação. No Brasil, essa tríade tem sido palco de intensos debates, refletindo períodos de expansão e fortalecimento institucional, mas também de severas restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. A experiência acumulada ao longo de anos de acompanhamento desses setores consolida a convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e que investir em ciência e tecnologia é um caminho inegociável para o progresso do país. As universidades públicas, em particular, exercem um papel estratégico insubstituível na formação de profissionais qualificados, na produção de conhecimento científico, no desenvolvimento tecnológico e na promoção da redução das desigualdades sociais. Enfraquecer essas instituições significa, invariavelmente, comprometer as oportunidades das futuras gerações e, por consequência, o futuro do Brasil.
Um olhar sobre o passado: o governo Bolsonaro (2019-2022)
O período compreendido entre 2019 e 2022, sob a gestão de Jair Bolsonaro, foi marcado por significativas restrições orçamentárias e instabilidade no Ministério da Educação (MEC), além de conflitos relacionados à autonomia universitária. Embora algumas dificuldades financeiras já existissem antes de 2019, a continuidade e as decisões tomadas durante esse governo agravaram os problemas para as instituições públicas de ensino e pesquisa. As despesas liquidadas das universidades federais, incluindo os hospitais universitários, sofreram uma redução real de 7,55% entre 2019 e 2021, caindo de R$ 64,60 bilhões para R$ 59,73 bilhões, em valores corrigidos. O programa Future-se, apresentado nesse período, propunha a ampliação do financiamento privado e a exploração econômica do patrimônio universitário, gerando críticas pela introdução de mecanismos de gestão orientados pelo mercado, com potencial impacto nas prioridades acadêmicas. A autonomia universitária também foi abalada por nomeações de dirigentes que desconsideraram as consultas às comunidades acadêmicas e pela sucessão de quatro ministros da educação, intensificando a instabilidade institucional. Na ciência e tecnologia, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) enfrentou bloqueios e restrições orçamentárias, situação especialmente crítica durante a pandemia de Covid-19, quando o investimento científico era crucial para a resposta à crise. A ciência, nesses momentos, deve ser vista como um investimento estratégico, e não apenas como despesa pública.
O presente: o governo Lula (2023-2026) e os desafios atuais
O atual governo, iniciado em 2023, tem buscado reverter o cenário de desvalorização, com avanços na recuperação do fomento científico e na expansão da educação pública. Uma das medidas mais significativas foi o reajuste das bolsas de pesquisa em 2023, com aumentos de 75% para iniciação científica, 40% para mestrado e 40,9% para doutorado, recuperando parcialmente o poder de compra de valores congelados desde 2013. Houve também uma ampliação no número de bolsas, com a CAPES adicionando cerca de 5,3 mil bolsas e o CNPq implementando 500 novas bolsas de produtividade em pesquisa. Apesar desses avanços, persistem desafios importantes, como dificuldades orçamentárias nas universidades, insuficiência de infraestrutura e as persistentes desigualdades regionais que necessitam de atenção contínua e políticas específicas para serem superadas.
O futuro que queremos: políticas de Estado e planejamento
Diante desse panorama, torna-se imperativo que a educação, a ciência, a tecnologia e a inovação sejam tratadas como políticas de Estado. Isso implica a garantia de um financiamento estável e previsível, um planejamento de longo prazo que transcenda os ciclos políticos e o respeito incondicional à autonomia institucional. A reflexão sobre os caminhos percorridos, os avanços conquistados, os desafios que ainda se apresentam e as escolhas que precisam ser feitas para o futuro é essencial. É fundamental que o Brasil construa um projeto consistente que assegure o fortalecimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, garantindo que o país possa responder aos seus desafios sociais, econômicos e ambientais com base em conhecimento e capacidade técnica.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








