Caiado critica aumento do Bolsa Família e anuncia cortes no Orçamento
Ronaldo Caiado classificou como populista o reajuste de 15,04% no valor mínimo do Bolsa Família e voltou a defender medidas de contenção de despesas. Entre as propostas, estão limites para o crescimento dos gastos públicos, fim das emendas impositivas e redução de repasses a Poderes e órgãos independentes.

Divulgação
Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, voltou a criticar o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal. Para ele, a elevação de 15,04% no valor mínimo do benefício, feita na reta final da campanha eleitoral, tem caráter populista e busca influenciar a decisão dos eleitores.
O candidato também anunciou propostas de ajuste fiscal que pretende apresentar ao Congresso Nacional. O plano inclui um novo limite para o crescimento dos gastos públicos, revisão de isenções tributárias e redução de repasses a Poderes e órgãos independentes da República.
Aumento é acusado de ter finalidade eleitoral
O valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, com acréscimo nominal de R$ 91. O governo federal estima que a medida terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026. O anúncio foi feito a poucos dias do primeiro turno, o que motivou questionamentos de adversários sobre o timing da decisão.
Caiado afirmou que a medida desrespeita a inteligência dos brasileiros ao ser apresentada em período eleitoral. A crítica integra a estratégia do candidato para contrapor o programa social do governo Lula a uma agenda de controle de despesas e responsabilidade fiscal.
Proposta limita crescimento das despesas
O candidato pretende enviar uma emenda constitucional para limitar o crescimento das despesas do governo federal a até 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A proposta criaria uma regra mais rígida para o avanço dos gastos públicos e dependeria de aprovação dos parlamentares para ser incorporada à legislação.
Caiado também defende a revisão de subsídios, benefícios tributários e recursos destinados a programas sociais. A ideia é ampliar a margem de controle sobre o Orçamento e reduzir pressões sobre as contas públicas, embora a proposta possa enfrentar resistência no Congresso devido aos interesses envolvidos.
Cortes em emendas e repasses
Entre as medidas anunciadas, o candidato promete extinguir 100% das emendas parlamentares impositivas. Esse tipo de emenda obriga o Poder Executivo a executar despesas aprovadas por deputados e senadores, reduzindo a flexibilidade do governo para escolher prioridades orçamentárias.
Caiado também pretende reduzir em 25% o repasse do duodécimo aos Poderes e órgãos independentes. O duodécimo corresponde aos recursos transferidos mensalmente para financiar atividades do Legislativo, Judiciário, Ministério Público e outras instituições autônomas.
Medida também enfrenta questionamentos na Justiça
O reajuste do Bolsa Família já foi alvo de representação na Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado relator do processo, que analisa questionamentos sobre a legalidade e o momento do anúncio.
As críticas de Caiado reforçam o confronto entre diferentes modelos de política fiscal na campanha presidencial. De um lado, o governo aposta na ampliação de programas sociais; de outro, o candidato do PSD defende contenção de despesas, revisão de benefícios e cortes em mecanismos de execução orçamentária.
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