Beco da Codorna vira galeria a céu aberto no Centro de Goiânia
Localizado na Avenida Anhanguera, o Beco da Codorna passou de área de serviços e estacionamento a ponto de encontro cultural. Grafites, música, teatro e atividades comunitárias ajudam a valorizar a história e movimentar o Centro de Goiânia.

Divulgação
Entre prédios, galerias e avenidas movimentadas do Centro de Goiânia, o Beco da Codorna ganhou uma função que contrasta com a origem discreta do espaço. Conhecido oficialmente como Viela Miguel Rassi, o local se tornou uma das expressões mais visíveis da arte urbana na capital goiana e integra o cotidiano de moradores, trabalhadores e visitantes da região.
De passagem de serviço a ponto cultural
Situado na Avenida Anhanguera, na altura do número 5.331, entre a Rua 9 e a Avenida Tocantins, o beco fica nos fundos do Centro Cultural Goiânia Ouro. Sua história começa muito antes dos grafites. Na década de 1980, a passagem reunia bares, frequentadores dos cinemas da região e trabalhadores em busca de um happy hour após o expediente. O Bar do Oliveira, especializado em codorna ensopada, teria dado origem ao nome popular do local.
Com as mudanças no Centro, o espaço chegou a ser usado principalmente como estacionamento durante o horário comercial. A virada começou em 2014, com o projeto Cena Urbana, ligado ao curso de Publicidade e Propaganda da PUC Goiás. A iniciativa reuniu grafite, música e skate e abriu caminho para transformar uma área de circulação em ambiente de convivência e criação artística.
Arte urbana na revitalização do Centro
A mobilização ganhou força com artistas goianos, moradores e integrantes da Associação dos Grafiteiros de Goiás. Os muros receberam painéis, cores e mensagens variadas, enquanto o beco passou a ser reconhecido como uma galeria a céu aberto. A ocupação artística mostrou que espaços esquecidos podem contribuir para valorizar a paisagem urbana e aproximar as pessoas da história do Centro.
Além dos grafites, o Beco da Codorna passou a receber exposições, apresentações musicais, feiras, atividades circenses e exibições de filmes. Em 2023, o projeto Viva o Centro levou ao local feira de publicações independentes, oficina de brinquedos populares, espetáculo circense e shows. A programação reforçou o papel do beco como equipamento cultural aberto e acessível.
Cores que convidam a olhar a cidade
Para artistas e moradores, as intervenções oferecem novas leituras sobre a região central. A designer e fotógrafa Camila Gomides escolheu o local para um ensaio de pré-wedding em 2017, atraída pelo ambiente colorido e pelas possibilidades criativas. Ela vê nos grafites uma forma de modernizar áreas deterioradas sem apagar a memória urbana.
O jornalista Sérgio Areda, morador do Centro há cinco anos, também destaca o valor narrativo dos murais. Em sua avaliação, becos que poderiam passar despercebidos ganham movimento e despertam curiosidade quando recebem arte. Cada traço pode registrar um protesto, retratar o cotidiano ou preservar elementos da identidade goianiense.
O Beco da Codorna já integra o roteiro Goiânia Alternativa, da Agência Municipal de Turismo e Eventos, e inspira intervenções em outras passagens do Centro. O que antes era apenas uma viela de serviços hoje funciona como símbolo de revitalização, demonstrando como a cultura pode devolver vida, cor e significado a áreas esquecidas da cidade.
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