Abstenção recorde em Goiás desafia engajamento do eleitor no 2º turno presidencial
Com a disputa pelo governo de Goiás já definida no primeiro turno, o eleitor goiano se prepara para o segundo turno da eleição presidencial em um cenário de abstenção recorde. Analisamos os dados históricos e a perspectiva para o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, questionando se o engajamento de 2022 se repetirá ou se o padrão de menor participação retornará.

Divulgação
Goiás se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais, que colocará Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente nas urnas. Enquanto a disputa pela cadeira de governador do estado já foi resolvida no primeiro turno com a reeleição de Daniel Vilela (MDB), que garantiu a vitória com 59,17% dos votos válidos, o foco agora se volta para o comportamento do eleitor goiano na etapa final da corrida pela Presidência da República.
Abstenção atinge novo recorde em Goiás
A preocupação central reside na abstenção registrada no primeiro turno de 2026, que alcançou o patamar mais alto da série histórica iniciada em 2014. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 21,84% dos eleitores goianos, o que representa impressionantes 1.109.003 pessoas, optaram por não comparecer às urnas. Esse índice é 0,76 ponto percentual superior à média nacional de 21,08% e significa 51.308 ausentes a mais do que na eleição de 2022. O histórico mostra uma escalada constante: a abstenção no primeiro turno em Goiás subiu de 18,83% em 2014, para 20,19% em 2018, 21,72% em 2022 e, agora, 21,84% em 2026, indicando um desafio crescente na mobilização.
O fator da disputa estadual: nem sempre decisivo
Historicamente, a presença ou ausência de uma disputa estadual no segundo turno não se mostra um fator isolado para garantir maior comparecimento. Em 2014, por exemplo, mesmo com a acirrada disputa pelo governo de Goiás entre Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB) no segundo turno, a abstenção subiu de 18,83% para 21,53%. O cientista político Rodrigo Andrade destaca que essa eleição demonstrou que a disputa local, por si só, não é garantia de engajamento do eleitor. Da mesma forma, em 2018, com Ronaldo Caiado eleito governador no primeiro turno, a abstenção para a eleição presidencial também aumentou de 20,19% para 21,61%, reforçando a ideia de que o comportamento do eleitor goiano naquele período não dependia da eleição estadual em curso.
2022: um ponto fora da curva e o que esperar em 2026
A eleição de 2022 apresentou um comportamento atípico e otimista para o engajamento do eleitor goiano. Apesar de Caiado ter sido reeleito no primeiro turno, a abstenção para a presidência surpreendentemente caiu de 21,72% para 20,74% no segundo turno – a primeira vez na história em que o índice do segundo turno ficou abaixo do primeiro. Rodrigo Andrade atribui essa mudança à intensa polarização nacional daquele pleito. Para 2026, com a abstenção do primeiro turno no nível mais alto da série, a questão permanece: o eleitor goiano será novamente mobilizado pela polarização nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro, repetindo o engajamento de 2022, ou voltará ao padrão de menor comparecimento observado em 2014 e 2018? A resposta a essa pergunta será crucial para o resultado no estado.
Votos brancos e nulos: um termômetro do interesse
Além da abstenção, a análise dos votos em branco e nulo oferece outro indicativo do interesse do eleitor. Em 2018 e 2022, houve uma queda nesses tipos de voto no segundo turno, o que sugere um direcionamento maior do eleitor que compareceu às urnas. Em 2022, a soma de brancos e nulos para presidente no segundo turno atingiu o menor percentual já registrado em eleições presidenciais em Goiás, indicando um forte engajamento em uma das candidaturas. Para 2026, o primeiro turno registrou 1,15% de votos brancos e 2,47% de nulos. A evolução desses números no segundo turno fornecerá dados importantes sobre o nível de satisfação e decisão do eleitorado diante das opções restantes.
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