Santos fecha 2º trimestre com déficit de R$ 119,6 milhões
Conselho Fiscal aponta resultado 62% acima do previsto, divergência de R$ 48,4 milhões no passivo e necessidade de esclarecimentos sobre dívida com Neymar.

Divulgação
O Santos fechou o segundo trimestre de 2026 com déficit contábil de R$ 119,6 milhões, resultado 62% acima do previsto no orçamento. Os números serão analisados pelos conselheiros em reunião marcada para segunda-feira, 14 de setembro, quando também deverão ser discutidas as ressalvas apresentadas pelo Conselho Fiscal.
Receita cresce, mas despesas pressionam o resultado
Entre abril e junho, o clube arrecadou R$ 126 milhões, valor R$ 35 milhões superior à estimativa inicial de R$ 91 milhões. As despesas operacionais, no entanto, reached R$ 165 milhões, enquanto outros gastos somaram aproximadamente R$ 18 milhões, mantendo pressão sobre as contas mesmo com a receita acima do planejado.
Conselho Fiscal calcula passivo maior
A diretoria informa passivo total de R$ 1,193 bilhão, considerando compromissos de curto e longo prazo e excluindo receitas diferidas. O Conselho Fiscal, porém, estima que as dívidas do Santos cheguem a R$ 1,242 bilhão, diferença de R$ 48,4 milhões concentrada nas obrigações de longo prazo.
Para o curto prazo, ambos os lados reconhecem dívidas e compromissos de R$ 619,6 milhões. A divergência aparece no restante do passivo: a diretoria calcula R$ 864,9 milhões em obrigações de longo prazo, enquanto os fiscais registram R$ 913,3 milhões.
Dívida com Neymar precisa de detalhamento
O Conselho Fiscal também cobrou informações mais claras sobre a dívida de direitos de imagem de Neymar com a NR Sports, empresa ligada à família do jogador. Segundo o órgão, a contabilidade não apresentou conciliação suficiente para demonstrar o valor total da obrigação e sua divisão entre compromissos de curto e longo prazo.
O Santos já negociou o pagamento em parcelas que podem chegar a 80 meses. A forma de reconhecimento dessa dívida é um dos pontos que podem influenciar a leitura sobre o endividamento e a necessidade de recursos nos próximos exercícios.
Folha salarial teve atraso e mudanças
O relatório registrou atraso de um mês no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores em maio. Os débitos foram regularizados posteriormente. No mesmo mês, o clube destinou R$ 14,2 milhões a salários e R$ 15,1 milhões a direitos de imagem, totalizando R$ 29,3 milhões com atletas.
Em junho, os gastos caíram cerca de R$ 10 milhões durante a paralisação do calendário por causa da Copa do Mundo. O Conselho Fiscal não informou se a redução temporária foi usada para diminuir dívidas de curto prazo. Desde então, o Santos perdeu jogadores e contratou cinco reforços, movimento que pode alterar novamente o custo da folha.
Empréstimos aumentam pressão sobre receitas futuras
Para enfrentar a pressão sobre o caixa, a diretoria ampliou o uso de financiamento de curto prazo. Os empréstimos nessa modalidade chegaram a R$ 77,7 milhões no período, e o clube antecipou R$ 20,1 milhões em recebíveis junto à MLD Capital.
A antecipação de recebíveis melhora a disponibilidade imediata de recursos, mas reduz o valor que será recebido nos períodos seguintes. O Conselho Fiscal alertou que essa prática pode aumentar a dependência de receitas futuras e elevar a pressão financeira sobre o Santos.
Outro ponto de atenção é a situação tributária. O clube mantém oito parcelamentos ativos e está com a Certidão Negativa de Débitos vencida por causa de parcelas pendentes relacionadas a tributos. O conjunto de pendências será apresentado aos conselheiros junto com os resultados do segundo trimestre.
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